38 Diáconos Permanentes
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
Neste domingo, 15 de fevereiro, às 14h30, na Igreja Concatedral Diocesana Nossa Senhora da Glória, em Francisco Beltrão, vivenciaremos um evento litúrgico de grande relevância a esta Igreja Local pela primeira vez em sua história. Serão ordenados 38 homens casados ao Diaconato Permanente. São os alunos da Escola São Lourenço, iniciada em 2019, com 71 candidatos, interrompida em virtude da Pandemia e, posteriormente, seguiu-se dentro do programado da grade curricular para a preparação à vocação de diáconos pais, esposos e membros de nossas paróquias à missão diaconal.
Aprofundemos o tema a partir da Palavra de Deus. Desde que a Bíblia usou a palavra Diácono para designar um ministério específico na Igreja (cf. Filipenses 1,1 e 1Timóteo 3,8-12), a história do diaconato tem muito o que contar. Vamos aos textos: “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os consagrados a Cristo Jesus que residem em Filipos, incluídos seus bispos e diáconos…” (Filipenses 1,1). “Igualmente os diáconos sejam dignos, não de duplas palavras, não dados à bebida, nem ao lucro vergonhoso; devem conservar com consciência limpa o mistério da fé…” (1Tm 3,8-9). São as aptidões/orientações para os candidatos para cargos/funções estáveis de responsabilidade, sobretudo o corpo da doutrina ou a mensagem evangélica. Expor com franqueza temas da fé cristã, o que indicaria também uma função catequética, ou seja, ensino, missão dos diáconos.
Embora o Ritual, na Prece de Ordenação Diaconal, se refira aos Sete homens de bem acolhidos pelos apóstolos para ajudá-los no serviço diário, Lucas, nos Atos dos Apóstolos não usa a palavra Diácono, mas apenas o verbo “diakonein” (ocorre 36 vezes), que significa servir, e o substantivo “diaconia” (ocorre 30 vezes), que significa serviço. Diákonos (ocorre 34 vezes), com significados diferentes. Entre todas as referências bíblicas ao serviço, a mais importante é, sem dúvida, aquela em que Jesus Cristo declara estar presente entre nós como “aquele que serve”.
Cuidar dos pobres
O Papa Francisco, numa de suas catequeses, dirigindo-se aos ministros ordenados, pedia-lhes: “Convido os irmãos bispos, sacerdotes e, de modo particular, os diáconos, a quem foram impostas as mãos para o serviço aos pobres (cf. Atos 6,1-7), juntamente às pessoas consagradas e tantos leigos e leigas que nas paróquias, nas associações e nos movimentos tornam palpável a resposta da Igreja ao grito dos pobres…. como um momento privilegiado de nova evangelização. Os pobres nos evangelizam, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair no vazio esta oportunidade de graça”.
Dentro da realidade eclesial e social em que vivemos, situa-se o ministério do diácono em três âmbitos bem definido: o serviço da caridade (está próximo da dor do mundo; a evangelização; a ação litúrgica (o diácono, antes de ser servidor da Palavra, será discípulo ouvinte). A Igreja lembra que os diáconos são chamados a servir a Igreja, acompanhando a formação de novas comunidades eclesiais, sendo apóstolos nas famílias, em seus trabalhos, em suas comunidades e novas fronteiras da missão.
Que os Diáconos Permanentes que a Diocese de Palmas-Francisco Beltrão acolhe sejam “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Atos 6,3), continuem contribuindo, através de seu ministério e testemunho de fé e vida, para que Jesus Cristo, o Enviado e Servidor por Excelência, seja reconhecido e amado especialmente nos irmãos/aos que mais necessitam em cada ambiente do espaço eclesial/diocesano. Que o pedido de São Paulo aos Colossenses seja, todavia, também a razão do ministério diaconal: “O que tiverdes de fazer, fazei-o de coração, como se estivésseis servindo ao Senhor, portanto, servi a Cristo, o Senhor!” (Colossenses 3,23). É na caridade pastoral de Jesus que o diácono encontra inspiração e forças para o agir ministerial.
