Duas aeronaves e operação complexa marcam mais uma captação de órgãos em Beltrão
ASSESSORIA/PMFB
Uma operação complexa, marcada pela precisão da logística aérea, mobilizou equipes médicas e duas aeronaves para a captação e transporte de órgãos em Francisco Beltrão.
O procedimento, realizado no Hospital Regional do Sudoeste, envolveu a doação de múltiplos órgãos de uma paciente jovem, do sexo feminino, após a confirmação de morte encefálica.

A ação exigiu uma verdadeira corrida contra o tempo. Ainda na noite de domingo (05), um avião modelo Beechcraft King Air C90, pertencente ao Estado e operado pela Casa Militar do Paraná, vindo de Curitiba, pousou no Aeroporto Municipal Paulo Abdalla para dar início à operação. Já na manhã desta segunda-feira (06), às 10h30, uma segunda aeronave entrou em ação. Um helicóptero Eurocopter AS350 B2 Esquilo, pertencente ao SAMU de Maringá, pousou no aeroporto municipal para realizar o transporte de outros órgãos da mesma doadora.
Após a realização do procedimento no hospital, as equipes se dividiram. No avião King Air C90, foram transportados o coração (para valvas), o rim esquerdo e parte do fígado — além de estruturas como baço e linfonodos, essenciais para a realização de testes de compatibilidade entre doador e receptor. A equipe seguiu de Francisco Beltrão rumo a Curitiba, em um trajeto com duração média de uma hora.
Já no helicóptero, a equipe médica levou o rim direito e outra parte do fígado, destinados a pacientes internados em Maringá. O voo de retorno teve duração aproximada de uma hora e meia. As córneas da doadora foram encaminhadas para Cascavel, ao Banco de Olhos, por via terrestre, em veículo do Estado.
Procedimento complexo, resultado que inspira esperança
Um dos destaques da operação foi a divisão do fígado — técnica conhecida como “split” — na qual um único órgão é dividido em duas partes para transplante em receptores diferentes. No caso do procedimento realizado em Francisco Beltrão, parte do fígado foi encaminhada para Curitiba, enquanto a outra seguiu para Maringá, ampliando ainda mais o alcance da doação.
Responsável pela captação do fígado, o médico José Sampaio Neto destacou a eficiência da estrutura logística e a agilidade no deslocamento, fatores fundamentais para o sucesso do procedimento e para o aproveitamento dos órgãos sem perda de tempo. “Essa operação foi possível graças à logística que temos no nosso estado, que realmente é privilegiada. Fomos de avião, voltamos de avião, saímos ontem à noite e chegamos agora pela manhã, sem perda de tempo além do estritamente necessário. Outro ponto importante foi a possibilidade de utilizar o mesmo fígado para dois pacientes. Uma fração foi destinada a uma bebezinha no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e o restante seguiu para Maringá. Isso só é possível graças à integração e ao apoio da Casa Militar, que permite ampliar o número de vidas atendidas”, destacou o médico.
Esse procedimento não é comum. Segundo o enfermeiro e coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da macrorregional de Cascavel, Marcelo Furtado, no ano passado foi realizado apenas um procedimento utilizando essa técnica, que beneficiou dois pacientes com o mesmo órgão. Em 2026, este é o primeiro caso registrado.
Manifestar a vontade de doar em vida é essencial para a decisão familiar
No Hospital Regional do Sudoeste, somente neste ano já foram registradas quatro notificações de morte encefálica. Em três casos, houve autorização familiar para a doação de órgãos, reforçando a importância do diálogo sobre o tema.
Pela legislação brasileira, a decisão final cabe aos familiares de primeiro grau, o que torna essencial que o desejo de doar seja manifestado ainda em vida. Um único doador pode salvar até oito vidas, com a doação de órgãos como coração, fígado, rins, pulmões e pâncreas. No entanto, a efetivação depende de fatores como compatibilidade e condições clínicas.
Mais do que uma operação médica, a ação registrada em Francisco Beltrão evidencia como a integração entre equipes de saúde e logística aérea pode transformar a doação de órgãos em novas chances de vida. Em um cenário onde cada minuto conta, a rapidez no transporte se consolida como peça-chave para que histórias tenham um novo começo.

