Espírito Santo, o grande dom!
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
A Solenidade de Pentecostes, neste domingo, 24 de maio, celebra um acontecimento capital para a Igreja: a sua apresentação ao mundo, o nascimento oficial com o batismo no Espírito Santo.
A partir da Ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre Jesus de Nazaré. Em cumprimento à promessa de Jesus, o Espírito foi enviado sobre os apóstolos, congregados no Cenáculo de Jerusalém. Dessa forma, Cristo continua presente na Igreja, que é continuadora da sua missão. Pentecostes, é o quinquagésimo dia após a Páscoa, é seu complemento, com a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração e na atividade dos discípulos; início da expansão da Igreja e princípio da sua fecundidade, ela se renova misteriosamente hoje para nós, como toda a assembleia eucarística e sacramental, e, de múltiplas formas, na vida das pessoas e dos grupos até o fim dos tempos. Pentecostes, é o “Natal”, da Igreja, da comunidade de fé dos seguidores de Jesus Cristo e que se perpetua no tempo passado, presente e futuro, porque sua origem é teológica, objeto de fé.
A “plenitude” do Espírito Santo é característica dos tempos messiânicos, preparados pela secreta atividade do Espírito de Deus que “falou por meio dos profetas” e inspira em todos os tempos os atos de bondade, justiça e religiosidade dos homens, até que encontrem em Cristo seu sentido definitivo. Em síntese, o parágrafo 731, do Catecismo da Igreja Católica afirma que, no Pentecostes, a Páscoa de Cristo se consuma com a efusão do Espírito Santo. O Espírito é manifestado, dado e comunicado como Pessoa divina e, Cristo, Senhor, derrama em profusão o Espírito a partir de sua plenitude, marcando o início da missão da Igreja.
Espírito Santo – o Dom de Deus
O Catecismo da Igreja Católica (n. 733) afirma que “Deus é Amor” (1 João 4, 8.16), e que este Amor é o primeiro dom, que contém todos os outros. Ele enfatiza que este amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Romanos 5, 5). Pelo poder do Espírito Santo, os fiéis podem produzir frutos espirituais na linguagem paulina, ou seja, os “Frutos do Espírito”, quais sejam o Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio/autodomínio (cf. Gálatas 5,22-23). O Espírito é apresentado como a vida dos filhos de Deus, capacitando-os a agir conforme o Espírito ao renunciar a si mesmos, sendo transformados para a adoção filial (Catecismo, n. 736).
A missão de Cristo e do Espírito Santo completa-se na Igreja, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo. Esta missão conjunta associa, doravante, os fiéis de Cristo à sua comunhão com o Pai no Espírito Santo: o Espírito prepara os homens e antecipa-se a eles com a sua graça para os atrair a Cristo. Manifesta-lhes o Senhor ressuscitado, lembra-lhes a sua Palavra e abre-lhes o espírito à inteligência da sua morte e da sua ressurreição. Torna-lhes presente o mistério de Cristo, principalmente na Eucaristia, com o fim de os reconciliar, de os pôr em comunhão com Deus, para os fazer dar muito fruto (cf. Catecismo, n. 737).
O Espírito da novidade em Cristo
Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras: “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado está presente, o evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia memorial, a ação humana que deifica”.
Toda a nossa vida de cristãos está, portanto, sob o sinal do Espírito Santo que recebemos no batismo e na crisma, nosso Pentecostes; nela devemos amadurecer os “frutos do Espírito”.

