Tecnologia paranaense retira 30 milhões de pneus da natureza
Estado está entre as regiões que utilizam asfalto-borracha, tecnologia que há 25 anos transforma resíduos em pavimentos mais duráveis.
Assessoria
Uma tecnologia paranaense de reaproveitamento de pneus inservíveis atingiu, no início do segundo semestre de 2026, a marca de 30 milhões de unidades retiradas do meio ambiente. Os pneus descartados, que representam um passivo ambiental significativo, são transformados em matéria-prima para o ECOFLEX, um asfalto-borracha pioneiro no mercado brasileiro.

A tecnologia consiste na incorporação de cerca de 15% de pó de borracha de pneus inservíveis ao ligante asfáltico. O processo modifica as propriedades do material, tornando o pavimento mais resistente às solicitações do tráfego e às variações de temperatura, além de contribuir para reduzir a formação de trincas, deformações e outros danos que comprometem a vida útil das rodovias.
Reaproveitamento segue princípios da economia circular
Além do desempenho do pavimento, o asfalto-borracha representa uma alternativa concreta para o reaproveitamento de pneus que seriam descartados no meio ambiente. O uso está alinhado aos princípios da economia circular, ao dar uma destinação ambientalmente adequada a esse resíduo e contribuir para uma infraestrutura viária mais sustentável.
Estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) indicam que o uso de asfalto-borracha pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa e outros impactos ambientais ao longo do ciclo de vida do pavimento. Os benefícios estão associados tanto ao reaproveitamento dos pneus inservíveis quanto ao aumento da durabilidade do revestimento, o que reduz a necessidade de intervenções e o consumo de recursos ao longo do tempo.
Por todo Brasil
Além das estradas administradas pela Motiva Paraná a Ponte de Guaratuba, projetos rodoviários e urbanos em diferentes regiões do país utilizam o asfalto-borracha. No Sudeste, por exemplo, o sistema Anhanguera/Bandeirantes é totalmente feito com ECOFLEX. As rodovias Washington Luis, Régis Bittencourt e Imigrantes, em São Paulo, e a BR-101, no Espírito Santo, possuem trechos com asfalto-borracha. No Sul de Minas Gerais, obras executadas em estradas entre os municípios de Monte Belo, Areado e Muzambinho, com cerca de 100 quilômetros, receberão até o final do ano asfalto produzido com borracha de pneus reciclados, de acordo com a EPR Vias do Café.
Em Santa Catarina, a BR-470, recém duplicada; as BR-282 e 280; e as SCs 350, 156, 465 e a 401, possuem trechos com a incorporação de asfalto. Para Dalbosco, a marca de 30 milhões de pneus reciclados representa uma mudança de paradigma na engenharia rodoviária brasileira. “Durante muito tempo, sustentabilidade era tratada como um benefício adicional das obras. Hoje ela faz parte da própria estratégia de engenharia.
Projetar pavimentos que durem mais, utilizem materiais reciclados e demandem menos manutenção significa reduzir custos, preservar recursos naturais e entregar infraestrutura de melhor qualidade para a sociedade.”

