A família é um bem social primário
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
Neste domingo, 09 de agosto, celebramos o Dia dos Pais e a abertura da Semana Nacional da Família, na sequência temática do Mês Vocacional, na Igreja do Brasil. No coração de cada um de nós, trazemos diante de Deus a vida de nossos pais e, também nossas famílias em suas diversas realidades e desafios. No presente artigo, leiamos, pois, o que o Papa Leão XIV, escreveu na sua primeira encíclica a Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial”. E na supracitada encíclica encontramos um subtítulo que escreve a “Família e jovens: condições sociais de esperança”. Vejamos os números 165-169.
Fundada na união estável entre um homem e uma mulher, é o primeiro ambiente em que cada um desenvolve as suas potencialidades, toma consciência da própria dignidade e aprende as primeiras formas de verdade e bondade, interiorizando hábitos que preparam para a vida social. Como primeira sociedade natural, dotada de direitos originais, a família é a célula fundamental e insubstituível de toda a organização comunitária. Consequentemente, quando os projetos políticos e as grandes decisões econômicas lhe relegam um papel marginal ou secundário, o autêntico crescimento de todo o corpo social fica comprometido.
Todavia, a família é um bem social frágil, sentindo de forma imediata as transformações econômicas e tecnológicas que estão a alterar o mundo do trabalho, e pedindo apoio cultural, jurídico e econômico. É conhecido o impacto devastador do desemprego e da precariedade no tecido familiar. A curto prazo, pode parecer vantajoso reduzir os custos laborais ou maximizar a eficiência financeira, mas a longo prazo isso mina as próprias bases da convivência: enquanto se celebram sucessos tecnológicos, a estrutura social é progressivamente afetada como que por um vírus silencioso.
O Papa Leão preocupa-se com os jovens…
Para os jovens, a precariedade laboral é particularmente dramática. Como recordam os bispos dos Estados Unidos da América, o trabalho não é apenas fonte de rendimento, mas um âmbito decisivo onde se forma a identidade, se tecem amizades e relações, se aprendem responsabilidades concretas e se discerne a própria vocação. Quando o acesso ao trabalho é dificultado por elevadas taxas de desemprego, por sistemas de formação inadequados ou por obstáculos estruturais, muitos jovens encontram bloqueado o próprio caminho de realização humana e profissional. A necessidade de mudar de emprego, várias vezes ao longo da vida, exige percursos de atualização e requalificação permanente, que tornem as novas gerações capazes de assumir, com competência e autonomia, os riscos dum contexto econômico instável e muitas vezes imprevisível.
Deriva daqui uma específica responsabilidade pública. O Estado tem o dever de apoiar a atividade das empresas, criando condições favoráveis ao emprego, promovendo o trabalho onde falha e defendendo-o em tempos de crise, pois é um bem primário para as famílias e a sociedade. Em particular, numa época de profundas transformações tecnológicas, se não quisermos que os progressos econômicos se traduzam em novas formas de insegurança e exclusão, é necessária uma criatividade política em favor do trabalho que dê centralidade à família e às novas gerações.
Apoiar as famílias e os jovens nesta transição exige escolhas que tornem viável a estabilidade. Como já foi referido, são precisas políticas laborais que favoreçam a continuidade e a qualidade do emprego, contrastando a precariedade como condição normal de vida e promovendo percursos realistas de inserção e crescimento profissional. Em segundo lugar, são necessárias medidas que garantam ritmos humanos: sem um equilíbrio entre trabalho, benefícios e descanso, a família enfraquece-se e os jovens encontram dificuldades em amadurecer na responsabilidade.
Rezemos pelos nossos pais, pelas famílias e jovens da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão!

