Após 2,5 toneladas retiradas sem cobrar por quilo, pesqueiro de SC quer remover mais tilápia
Pesqueiro de Guatambu, no Oeste catarinense, incentiva a retirada da tilápia para manter o equilíbrio do lago e evitar infestação. Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
Quem fisgar tilápia pode levar para casa — sem limite de peso e sem pagar por quilo. A ação de um pesqueiro em Guatambu, no Oeste de Santa Catarina, já resultou na retirada de 2,5 toneladas da espécie e deve continuar nos próximos dias.

A expectativa agora é remover mais 1,5 tonelada, conforme a procura dos pescadores. A proposta, considerada inusitada e estratégica, tem atraído praticantes da pesca esportiva de toda a região.
A iniciativa começou em dezembro de 2025, mas foi suspensa temporariamente para tratamento da água dos tanques. Com o fim do período de carência no início de fevereiro, a liberação voltou a valer.
Tilápia liberada: como funciona na prática
No Pesqueiro Paiol Santa Madre, o modelo é simples: o cliente paga apenas a diária da pesca esportiva e pode levar as tilápias fisgadas sem custo adicional pelo peso.
Diferente do sistema tradicional “pesque e pague”, em que o peixe é cobrado por quilo, durante o período de liberação não há limite de retirada da espécie.
- Casinha por R$ 30 ao dia (para até dois pescadores)
- Churrasqueira por R$ 20
O pesqueiro fica no Distrito de Fazenda Zandavalli, com acesso pela SC-283, e oferece estrutura com cadeiras, lixeiras, internet e iluminação para pesca noturna.
Vale a pena? Conta fecha rápido
Apesar de não ser totalmente gratuita — é preciso pagar a diária — a conta costuma compensar.
O quilo da tilápia custa, em média, R$ 25. Ou seja, ao pescar cerca de 3 kg, o valor investido na diária já se paga.
Alguns pescadores relatam que, com as técnicas adequadas, é possível fisgar até 30 quilos em um único dia.
Pescador de Xanxerê já levou para casa mais de 200 quilos. Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
Personal trainer já fisgou mais de 200 kg após liberação
Desde que a retirada de tilápias foi liberada no pesqueiro de Guatambu, o personal trainer de Xanxerê, Guilherme Zancan, de 24 anos, já levou mais de 200 quilos do peixe para consumo próprio.
Pescador esportivo há dois anos, ele aposta no chamado “sistema direitinho”, técnica que utiliza a ração fornecida pelo próprio pesqueiro para atrair as tilápias.
“Em alguns momentos elas são alvo fácil, por ser um peixe que come o dia todo. Mas eu também vou ao pesqueiro em busca de peixes maiores, como tambaqui e peixes de couro”, explica.

Guilherme explica que vai ao pesqueiro em busca de peixes maiores. Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
Para garantir a qualidade do pescado até a hora de ir embora, Guilherme mantém as tilápias vivas dentro do tanque com o uso de um passaguá. Ao final da pescaria, os peixes são colocados em uma caixa térmica com bastante gelo, o que assegura a conservação até chegar em casa.
Lá, começa o trabalho em equipe. “Quando a gente chega, eu e a turma que costuma pescar comigo fazemos os filés. Assim conseguimos manter o peixe em bom estado de conservação”, relata.
Como fisgar a espécie no pesqueiro
A pesca desse peixe exige técnica e atenção. Diferente de espécies maiores, como tambacus e tambaquis, ela é mais arisca e costuma “beliscar” a isca antes da fisgada definitiva.
Sistema com cevadeira
Nos períodos de liberação, muitos utilizam o sistema de cevadeira com boinha, técnica também comum na pesca dos tambas, que concentra os peixes em um ponto específico na água.
O pescador arremessa ração para atrair os peixes e posiciona o anzol próximo ao ponto de ceva. A boinha funciona como indicador, afundando ou se movimentando quando ocorre o ataque.
Por ser uma espécie de toque rápido e leve, muitos optam por anzóis menores e linhas mais sensíveis.
Sistema “diretinho”
Outra opção é o chamado sistema “diretinho”, semelhante à pesca tradicional de barranco. Utiliza-se chumbo leve e iscas naturais ou massa específica.
A técnica lembra a usada para tambas, mas com equipamentos mais leves, já que a tilápia tem porte menor e briga menos intensa.
Por que é preciso retirar tanta tilápia?
Segundo o sócio-proprietário, Adriano Diniz Rodrigues, a espécie é solta nos tanques para servir de alimento aos peixes predadores, principalmente os chamados peixes de couro.
O problema é a alta capacidade de reprodução.
“Soltamos a tilápia para que seja alimento para os predadores maiores. Só que ela se prolifera rapidamente e, se deixar, acaba atrapalhando a pesca esportiva”, explica.
Ou seja: a retirada em grande volume ajuda a manter o equilíbrio do lago e evita infestação.
15,5 toneladas de peixe disponíveis

Foto: Divulgação/E-food/ND Mais
Atualmente, cerca de 15,5 toneladas de peixe estão disponíveis nos lagos do pesqueiro, que trabalha com 18 espécies, com exemplares que variam entre 2 kg e 42 kg.
Entre elas:
- Peixes de couro: jaú, pintado e cachara;
- Peixes de escama: tambacu, tambatinga, patinga, dourado, carpa cabeçuda e carpa húngara.
O local já ganhou destaque por oferecer espécies de grande porte, atraindo turistas e movimentando a pesca esportiva no Oeste catarinense.
Fonte: ND+

