Campanha da Fraternidade 2026: A moradia digna!
A Igreja nos propõe como objetivo geral da Campanha da Fraternidade: “Promover, como prioridade, a moradia digna para todos”.
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
“Ele veio morar entre nós” (João 1,14). Esta é a inspiração bíblica que a Igreja do Brasil escolheu para o lema da Campanha da Fraternidade deste ano de 2026. Toda Campanha da Fraternidade sempre trata de assuntos graves, urgentes e de interesse do Bem Comum. Os temas das Campanhas estão em conexo profunda com o tema da Quaresma, como tempo favorável à conversão: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Marcos 1,14), ouvíamos de Jesus, na Quarta-Feira de Cinzas, chamando-nos a mudanças de vida e estilo de atitudes. Neste ano, portanto, rezar, jejuar e praticar a caridade, o tripé da Quaresma, a partir da moradia, sobretudo, sensibilizando-nos com os que não a tem. A conversão deve ser um ajuste de mentalidade pessoal e comunitária e de solidariedade cristã.
No ano de 2026 somos chamados a renascer na responsabilidade de ver e agir para que todos tenham morada digna. A realidade da moradia no Brasil é dramática e fere a dignidade de muitos filhos de Deus. A Igreja nos propõe como objetivo geral da Campanha da Fraternidade: “Promover, como prioridade, a moradia digna para todos”. E os objetivos são quatro: 1. Tomar consciência da realidade precária da moradia de muitos irmãos e irmãs. 2. Identificar as omissões do Poder Público e civil no seu dever de promover moradia digna para os pobres. 3. Corrigir o pensar mercantilista de que a moradia é objeto de especulação e de mérito exclusivamente pessoal. 4. Empenhar-se para que as leis e as políticas públicas sejam efetivas em favor da moradia digna para todos.
Sob três olhares
O texto da Campanha da Fraternidade pede para abrirmos os olhos e ver a realidade com o olhar da fé cristã. Nenhum cristão pode ver como normal as moradias precárias e indignas de seus irmãos e irmãs, principalmente em favelas, invasões e assentamentos, mas precisa ver as distorções do alto preço da terra, dos insumos e financiamentos. Hoje no Brasil 6 milhões de famílias necessitam de moradia por estarem residindo em situação indigna ou pagando aluguel caro. Outras 26 milhões de famílias moram em situação inadequada, como em áreas de risco de alagamento, enchentes, deslizamentos. Outras 300 mil pessoas vivem na rua. A maioria é de negras ou pardas.
Olhando para o Novo Testamento, Jesus, Maria e José foram perseguidos e espoliados da sua moradia pelo poderoso Herodes (Mateus 2,13-23). Também hoje, muitos são perseguidos, ameaçados e espoliados do seu chão e da sua moradia. A moradia digna é sagrada e necessária. Jesus entrava nas moradias para ensinar e evangelizar. Nelas era acolhido. A moradia digna é lugar de aconchego, de segurança, de equilíbrio e de proteção, mas muitos são privados dela. Jesus foi muito severo em denunciar quem manipulava as leis para se apossar do espaço e da moradia dos pobres. No início da Igreja era nas moradias que homens e mulheres formavam e dirigiam as primeiras comunidades. Na Bíblia a moradia sempre estava ligada à terra e era o espaço para viver com dignidade e liberdade.
O terceiro olhar é o nosso olhar eclesial, nossa caridade. Podemos ter boas ideias e belas palavras sobre a moradia, como direito universal, sem a ação, são fantasias inúteis e nada valem. Todo cristão, fiel a Cristo, é convocado à conversão do coração e agir, fazendo a sua parte para o Reino de Deus crescer. O texto-base sugere algumas ações, entre outras: l. Cobrar políticas públicas municipais, estaduais em favor de moradias dignas habitáveis, com a boa estrutura. 2. Avançar para uma ação da Igreja nas periferias, nas favelas, nos alagados e nos locais de riscos. 3. Fomentar a criação de grupos populares para lutar para que todos tenham moradia digna e com boa estrutura. 3. Colaborar com campanhas em favor das vítimas de enchentes, de incêndios e de deslizamentos. 4. Colaborar com os grupos de engenheiros, arquitetos e advogados que ajam gratuitamente em favor de moradias. 5. Participar da Coleta Solidária no domingo de Ramos em favor da moradia digna.
