Clonagem de araucárias acelera produção de semente e pesquisadores projetam “pomares de pinhão”
Pesquisa da Embrapa levou 15 anos para concretizar processo que altera o tamanho e o tempo de desenvolvimento da araucária. Crédito: Arquivo pessoal
Árvores com enxertos podem levar metade do tempo normal para crescer. Embrapa Florestas / Divulgação
Uma araucária capaz de produzir pinhão em quase metade do tempo chamou a atenção entre as pesquisas apresentadas pela Embrapa durante a Expodireto Cotrijal, feira voltada ao agronegócio que acontece em Não-Me-Toque, no norte do Estado.

Árvores com enxertos podem levar metade do tempo normal para crescer. Embrapa Florestas / Divulgação
A técnica utiliza um método de enxertia: partes de uma planta mais velha são inseridas em uma muda jovem, em um processo semelhante à clonagem. Na natureza, uma araucária fêmea pode levar de 12 a 20 anos para começar a produzir pinhões. Com a propagação vegetativa, no entanto, esse tempo pode cair para cerca de seis a 10 anos.

Segundo a analista da Embrapa Florestas, Cátia Pichelli, a pesquisa busca transformar o pinhão em uma cultura agrícola organizada, e não apenas em atividade extrativista.
— Hoje praticamente não existe cultivo de pinhão, existe o extrativismo. As pessoas escalam as árvores ou esperam ele cair. O que queremos é incentivar o produtor a ter um pomar de pinhão, como acontece com outras frutíferas — explica.
Além de antecipar a produção, a tecnologia permite facilitar a colheita. Em um dos métodos, a árvore permanece pequena, com cerca de três metros de altura, permitindo que o pinhão seja colhido diretamente da planta, sem necessidade de escalar.
A técnica de clonagem da araucária já começou a ser aplicada em viveiros e propriedades rurais no sul do país. Segundo a analista, produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul já iniciaram o cultivo de árvores com produção precoce, mas ainda estão em processo de maturação.
Como funciona o enxerto

Pesquisadora da Embrapa levou 15 anos para ser concretizada. Alessandra Hoppen/Agência RBS.
O processo consiste em retirar um broto do topo de uma araucária adulta — região da planta que já possui características de maturidade — e enxertá-lo em uma muda jovem que já tenha lenhagem suficiente para sustentar o crescimento.

— Se o broto for retirado da base da árvore, ele “acha” que é jovem e vai seguir o ciclo normal. Quando pegamos um broto da parte superior, geneticamente ele entende que já é uma planta madura. Quando é enxertado, ele continua com essa característica e acaba produzindo pinhão mais cedo — explica a profissional.
Segundo ela, o desenvolvimento da técnica levou cerca de 15 anos de estudos até que fosse possível identificar o ponto correto da planta para realizar o enxerto.
Farinha de pinhão sem glúten
Outra frente de pesquisa envolve o aproveitamento do pinhão em novos alimentos. Um dos exemplos é a produção de farinha sem glúten, feita a partir da semente da araucária.
— A farinha de pinhão tem um potencial muito grande. Diferente de muitos produtos sem glúten, ela tem sabor e também contribui para deixar pães e bolos mais aerados — afirma Cátia.
A ideia é que o aumento da produção da matéria-prima permita ampliar o uso do ingrediente em alimentos industrializados, como panificação e snacks.
Fonte: GZH

