GeralVia Poiesis

… e, assim, começamos mais um ano…

Hoje, temos uma produção ampla para abrir o ano, com um trabalho de cada autor desta coluna, de forma livre, sem planejamento. A expressão da “persona” de cada um, como diria Carl Gustav Jung… começando com um Camaquiano, de Cláudio Loes, abrindo como uma perfeita ilustração do dia.

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TRANSIÇÃO

(Um poema de Cleusa Piovesan)

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Balanço geral… para quê?
Não é o fim da vida
É apenas um final e início de ano
Tempo de reflexões
De corações abertos
A pacificar enganos

Vislumbro recomeços
De caminhos
De encontros e de encantos
De novas oportunidades
De boas vibrações
De energia vital ativa
De perspectivas
De sonhos projetados
De projetos realizados
De harmonia
De paz e de amor
De sentimentos universais

Na porta do passado
Deixarei apenas uma fresta
Para espiar meus erros
Expiar os maus pensamentos
E revestir-me de bagagem
Para transitar nas veredas do futuro

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Um ano cheio de novas possibilidades

(Uma crônica de Joceane Priamo)

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Após realizarmos votos, rituais de passagens e superstições sobre a melhor maneira de adentrarmos ao ano novo, aqui estamos, em 2022. Um ano, que assim como os anteriores, promete ser o ano das transformações.

A transição de um ano para outro não significa que a vida irá mudar totalmente, o que acontece é a finalização de um ciclo e o começo de novas oportunidades. De alguma forma, essa linearidade do tempo nos instiga a sonhar, a ver uma luz de esperança que nos faz acreditar que este momento poderá ser melhor. Damos uma pausa e tomamos fôlego para continuarmos com mais energia e entusiasmo, renovamos os planos, reorganizamos projetos e traçamos novas metas.

Podemos ter os mesmos compromissos dos anos anteriores, conviver com as mesmas pessoas, frequentar os mesmos lugares, morar na mesma casa, mas os dias sempre serão diferentes. Cabe a nós a tarefa de criar uma nova maneira de viver, com a certeza de que histórias são construídas entre fins e começos.

Independente do ano, sempre surgirão acontecimentos inesperados que poderão exigir pausas não programadas, e, mesmo assim, o tempo não para e a vida continua. Alguns dias serão melhores que outros, por isso, devemos carregar o que adquirimos de bom e deixar para trás tudo aquilo que não é mais contribuição para a nossa vida.

Não basta prometermos a nós mesmos que iremos melhorar os nossos pensamentos e comportamentos. Temos que agir, focar naquilo que realmente queremos. A nossa mais importante tarefa é conectarmos com a nossa essência e descobrirmos que a paz, amor, felicidade, existe em nós. Não temos que buscá-los nos outros, nem esperarmos que outro ano se inicie. Não há manual passo a passo para construir uma vida melhor. Apenas devemos viver e aprender a confiar na própria vida e em todas as infinitas possibilidades em que ela nos oferece diariamente.

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O primeiro dia

(Uma crônica de Claudemir M Moreira)

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Prometemos mudanças… sempre esperamos por dias melhores, um mundo melhor, uma vida de paz e prosperidade.

Esperanças e promessas. E o que temos são esperanças vazias e promessas em vão.

Cruzamos apenas um dia, o último de uma etapa quimérica… na verdade, esperamos alguns milésimos de segundos… e os ponteiros se juntam, e junto vem uma enxurrada de esperanças, ilusões que brotam em nosso peito, como se tudo pudesse, simplesmente, mudar… e que, de repente, a vida passasse por uma mágica renovação.

A felicidade e os ânimos duram pouco… e o dia seguinte é só mais uma continuidade de um cotidiano escravagista. E continuaremos cometendo os mesmos erros, e a mudança não virá.

Esperamos pelo primeiro dia de janeiro como se fosse um marco em nossas vidas. E nada acontece.

A mágica do raiar de um novo ano é só mais uma ilusão que trazemos e carregaremos em nossa mente.

E a cada ano que passa, vemos nossas promessas, nossas metas, embolarem-se em meio a nossas esperanças e anseios… e vamos acumulando derrotas e desalentos.

Não serão as ondas, as simpatias… lentilhas e roupas brancas… a champanhe e os abraços. Não serão as esperanças… e nem mesmo os desejos proferidos, quase que por obrigação, por amigos e parentes.

Fazemos juras e orações. Juramos pela união, clamamos por clemência, mas os dias passam como em um piscar de olhos e, rapidamente, tudo fará parte da grande alfurja, a pocilga do esquecimento. Os dias nos enganam e passam por cima de tudo aquilo que pensamos.

Todos os planos são poeiras do passado, e todas as promessas sempre sangram… e as esperanças, desalentam.

O tempo nutre antipatia por toda nossa pulsação. Nossa mente divaga, nosso coração desmente… nosso corpo pesa, padece.

E teremos, novamente, todos os dias… e poderemos seguir a mesma rotina e trilhar o mesmo caminho.

As ruas do destino são sempre largas, os cruzamentos constantes, mas as promessas, esquecidas.

O ano passará novamente, como em uma reprise, quase um “revival” de todos os anos passados. Vamos sorrir e chorar, teremos nossos tempos de medos e arrependimentos… vamos ver o nascer e o morrer… o seguir em frente e o parar em desespero. Veremos o Sol castigar os famintos e as tormentas, por vezes, trazer coragem a quem tem medo.

Nossas promessas tão frágeis… e nossas esperanças sempre pairam entre a fé e a decepção.

Veremos espadas que se cruzarão por sobre nossas cabeças… e os anjos nunca virão.

As serpentes sempre cruzam entre nossos pés e desfazem nossos rastros… e foi assim, no ano passado.

Sonharemos com o paraíso e, por vezes, do nada, o pesadelo incendiará… e acordaremos suados, sufocados e esmagados pelas paredes do quarto.

Portas se fecharão para sempre; outras, por vezes, por um só momento. Teremos muros e pontes… e outras portas que se abrirão.

Teremos dia após dia, como sempre trilhamos… passaremos os meses e as estações… dias ensolarados e tempestades severas.

Os dias passam…

Este ano… será diferente?

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