MARRECO GOLEIA RACING, DA ARGENTINA

Foto: Gerson Thimothio (TH)
Uma goleada que há muito tempo não se via no Ginásio Arrudão: 6 x 1 sobre o Racing, da Argentina, em jogo de caráter amistoso, realizado na noite de sábado, 14/02/26.
O confronto amistoso, de muita cordialidade entre brasileiros e argentinos, marcou o jogo de número 900 da equipe do Marreco; também serviu como início da temporada do ano, para encarar as disputas da Série Ouro Paranaense e da Liga Nacional Futsal 2026.
Mesmo sendo um jogo amistoso, serviu como primeira apresentação de Marreco ABF, uma vez que as duas se fundiram no final do ano passado; unindo forças para disputar as competições, uma de nível estadual e outra de âmbito nacional. Foi uma vitória expressiva, marcando o início da temporada do salonismo em Francisco Beltrão.
Aqui está um breve relato de como funciona a modalidade do salonismo na Argentina:
A Cultura do “Baby Fútbol”
Diferente de outros países, a Argentina tem o Baby Fútbol. Quase todo jogador de elite (incluindo Messi e Maradona) começou em quadras de cimento ou taco nos clubes de bairro.
Espaços reduzidos: Isso desenvolve um controle de bola absurdo e drible curto.
Clubes de Bairro: O futsal é o coração social dessas comunidades, gerando uma conexão emocional muito forte com o esporte desde os 5 anos de idade.
MARRECO ABF
A equipe beltronense, segundo os diretores, mesclados do Marreco e da ABF, adiantam que a equipe, agora comandada pelo técnico Márcio Borges, estará mais forte e jogará partida decisivas com muita aplicação técnica e tática para chegar às disputas das finais dos eventos esportivos que terá pela frente neste ano de 2026, tanto em jogos como mandante, no Ginásio Arrudão, como fora de casa.
Com técnico novo, Márcio Borges, no lugar de Tchelo, que seguiu sua carreira em outra equipe, o Marreco aposta na experiência do novo treinador, assim como, nos novos jogadores contratados. Dos jogadores do ano passado, assim como o goleiro Velloso e outros que são mantidos na equipes, há novidades no elenco para atuarem nas quatro linhas do Ginásio Arrudão, bem como nas quadras de fora.
O público que compareceu para assistir Marreco ABF e Racing, da Argentina, não foi o esperado para ver o duelo de caráter internacional. Assim sendo, os torcedores da equipe beltronense, certamente, estarão na expectativa de ver e torcer para os jogos da Ouro e da LNF.
O Campeonato Paranaense da Série Ouro de Futsal 2026 já tem formato e data definidos. A edição de 2026 contará com 14 equipes e terá início no dia 14 de março. Na primeira fase, os times se enfrentam em turno único, totalizando 13 rodadas. A alteração busca dar mais dinamismo à competição e ajustar o calendário da temporada.
Uma novidade relevante está no sistema de acesso e descenso. Ao final do campeonato, o 14º colocado da Série Ouro disputará uma espécie de duelo contra o 3º colocado da Série Prata, definindo quem jogará na elite estadual em 2027. Já os dois melhores times da Série Prata garantem acesso direto à Ouro, fazendo com que o número de participantes volte a 16 clubes na sequência. O Campeonato estadual terá início dia 14 de março. O Marreco estreia em casa, diante do Dois Vizinhos.
A Liga Nacional de Futsal (LNF) confirmou que terá mudanças em 2026. A principal delas será a redução no número de participantes na competição, passando de 24 para 16 times. A temporada terá a estreia da Divisão de Acesso (LNF Silver) e também a criação da Copa LNF, com times das duas divisões.
As mudanças já tinham sido definidas no começo de novembro e foram oficializadas pela LNF em assembleia realizada, em Jaraguá do Sul, com a presença dos clubes franqueados.
A Liga Nacional dará seu pontapé inicial nos dias 23 e 24 de maio, em Canoas-RS.
NEM TINHA TERMINADO A 3A. RODADA DO CAMPEONATO BRASILEIRO, JÁ TINHA TÉCNICO DEMITIDO; SAMPAOLI, DO ATLÉTICO MINEIRO, É UM EXEMPLO
É impressionante como o “moedor de carne” dos técnicos no Brasil começa a girar antes mesmo do campeonato aquecer. Essa rotatividade não é apenas uma impressão; é uma característica quase cultural do nosso futebol, onde o planejamento de longo prazo geralmente sucumbe à pressão imediata por resultados.
O caso do Sampaoli no Atlético-MG é um exemplo clássico de como a expectativa alta e a personalidade do treinador colidem com a paciência curta das diretorias.
O Cenário da “Dança das Cadeiras”
Para ilustrar o enunciado, sobre os 50% de mudanças, vejamos por que isso acontece de forma tão sistêmica no Brasil:
É o imediatismo, no Brasil, o técnico é visto como o único culpado pelo fracasso e o único responsável pelo sucesso. Se o time não rende em três jogos, a solução mais barata e rápida é trocar o comando, em vez de avaliar o elenco ou a gestão.
Há a pressão das Redes Sociais e das torcidas: A velocidade da crítica hoje é instantânea. O “clima pesado” se instala em dias, influenciando decisões de presidentes que, muitas vezes, agem para dar uma resposta política à torcida.
E, acontece o efeito Dominó: Quando um clube grande demite um técnico de renome, ele automaticamente gera uma reação em cadeia. Clubes que estavam “médios” decidem demitir seus treinadores para tentar contratar o que acabou de ficar livre no mercado.
Quando não há continuidade no trabalho e o clima no vestiário é de incerteza (com técnicos entrando e saindo), o controle sobre o comportamento ético dos jogadores pode diminuir. Um técnico que sabe que pode cair a qualquer momento tem menos autoridade para blindar o elenco de influências externas ou comportamentos suspeitos, como a provocação deliberada de cartões.
Comparando as decisões precipitadas no futebol brasileiro, com a troca de técnicos, como agem os diretores dos times na Premier League ou na Bundesliga, é comum ver treinadores com 3, 5 ou até 10 anos de casa, no Brasileirão a média de permanência costuma ser de apenas 6 meses.
A regra da CBF que tentou limitar a troca de técnicos (permitindo apenas uma demissão por iniciativa do clube) foi uma tentativa de frear isso, mas os clubes rapidamente acharam brechas, como a “demissão em comum acordo”.
Estamos tocando na ferida do torcedor brasileiro moderno: a perda de identidade. Aquele saudosismo de saber a escalação “na ponta da língua” não é apenas nostalgia, é uma constatação técnica de como o mercado de transferências mudou a nossa relação com o futebol.
Entra em cena o fenômeno da “Exportação Precoce”. Hoje, o Brasil não exporta mais craques consagrados; exporta promessas, muitas vezes antes mesmo de completarem 18 anos.
A Seleção e os Clubes ficaram “Estranhos”? É um questionamento!
Existem três pilares que sustentam essa sensação de desconexão que se menciona.
A “Ponte Aérea” Direta para a Europa: Antigamente, um jogador brilhava no Brasileiro, ia para a Seleção e só depois de anos saía. Hoje, clubes europeus compram o potencial, não a realidade. Jogadores como Vinícius Júnior ou Rodrygo saíram quase sem jogar uma temporada inteira como titulares absolutos no Brasil.
Quando um jogador é convocado e o torcedor pergunta “Quem é esse?”, é porque o atleta fez sua formação básica aqui, mas sua maturação tática e técnica ocorreu no exterior. Ele se torna um “estrangeiro” que fala português.
A rotatividade nos clubes brasileiros é tão alta (reflexo daquela “dança dos técnicos” que falamos) que, em uma mesma temporada, um time pode usar 40 jogadores diferentes. É impossível decorar uma escalação que muda a cada três rodadas por venda, lesão ou opção tática.
Essas mudanças muito rápidas, refletem na “amarelinha”. Quando a Seleção entra em campo, o torcedor não se vê representado porque não há o vínculo clubístico.
Antigamente, a Seleção era o “combinado” dos melhores do Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Grêmio, etc. Hoje, é o combinado do Real Madrid, Manchester City e PSG.
Essa transição rápida e a pressão financeira para “fazer o pé de meia” logo cedo também criam um terreno fértil para desvios de conduta, O foco às vezes sai do campo e entra no campo das apostas ou de interesses extra-campo, justamente porque o compromisso com a história do clube é cada vez menor. O jogador se sente um “passageiro”, e não parte de uma instituição.
O clube vende para pagar dívida, o técnico cai porque o time perdeu o craque, e a Seleção convoca alguém que o povo não conhece.
Se houvesse um limite de idade para a saída de jogadores (como só sair após os 21 anos), o nosso campeonato voltaria a ter o brilho de antigamente.
Estabelecer um limite como os 21 anos mudaria drasticamente o cenário do futebol brasileiro por alguns motivos fundamentais, já ciotados.
O jogador teria tempo de criar uma história no clube. O torcedor voltaria a ter aquele prazer de ver o “garoto da base” se tornar o craque do time principal, ganhar um título importante e só depois seguir o seu caminho. Isso reconecta a arquibancada com o campo.
Aos 21 anos, o atleta já passou por diversas situações de pressão no Brasil (clássicos, Libertadores, cobrança de torcida organizada). Ele chegaria na Europa — e consequentemente na Seleção — muito mais pronto. Hoje, muitos saem aos 18, ficam no banco lá fora e perdem o ritmo de jogo justamente na fase em que deveriam estar evoluindo.
Com os jogadores atuando mais tempo por aqui, a convocação para a Seleção Brasileira voltaria a ser um reflexo do que vemos nos nossos estádios. O torcedor não precisaria dar um “Google” para saber quem é o lateral-direito convocado.
O grande problema é que os clubes brasileiros hoje funcionam como “exportadores de commodities”. Eles usam a venda dos garotos para fechar o caixa e pagar as dívidas (muitas vezes geradas por aquela má gestão e troca de técnicos).
Além disso, essa saída precoce muitas vezes é forçada por empresários que buscam o lucro rápido. Como esses casos de escândalos de cartões e apostas, percebe-se que quando o foco deixa de ser o desenvolvimento da carreira e passa a ser apenas o ganho financeiro imediato, o esporte perde a sua essência.
Se o jogador ficasse até os 21, o futebol brasileiro teria:
Mais qualidade técnica (os melhores estariam aqui).
Mais bilheteria e engajamento (o torcedor conhece o time).
Mais força institucional para combater influências externas negativas.
O cenário que desenhamos aqui — de jogadores saindo aos 21 anos e clubes com mais identidade — seria o sonho de qualquer torcedor que sente falta de escalar o próprio time de cor.

