“Senhor, deixa a figueira ainda este ano!”
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
Ao concluirmos o Ano Santo do Senhor, o Ano Jubilar, no final do mês de dezembro de 2025, do grande mistério da encarnação do Verbo de Deus – Jesus Cristo, o Emanuel, somos convidados a percebermos os frutos que foram colhidos na fé, nos compromissos batismais e eclesiais, nossos frutos no campo da reconciliação, do amor e da esperança. Podemos perguntar-nos: Quais foram as novas atitudes que tomamos ao confrontar-nos com Jesus Cristo e seu projeto de reino, o projeto de salvação? Comecemos nossa reflexão com um dos temas centrais do Ano Jubilar que é a conversão. Conversão se dá com o arrependimento. Ouvindo uma parábola de Jesus, como uma das oportunidades, senão a única, à mudança de vida e mentalidade, porque todos necessitam de arrependimento.
E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’” (cf. Lc 13,6-9).
A figueira pode ser símbolo de Israel. Podemos alargar o seu significado, estendendo-o à Igreja, à Diocese, às paróquias e comunidades. Podemos estender as parábolas às nossas famílias, às instituições gerais, enfim, a sociedade. Um dado interessante dessa parábola é a intercessão do vinhateiro a favor da figueira pedindo moratória, suplicando a suspensão e adiamento dos resultados. Embora Jesus introduz o tempo de tolerância, o tempo de paciência, cada árvore, cada cristão, cada tempo jubilar e ocasiões especiais, pode esgotar seu tempo de tolerância. Lucas ensina aos discípulos de Jesus de ontem e os que estamos vivendo o tempo jubilar que Jesus é compassivo, mas não irresoluto. Ele exige que os pecadores se arrependam antes que seja tarde demais.
Figueiras com frutos, figueiras sem frutos…
Jubileu é tempo de conversão, de arrependimento e de vigilância. A cada dia o Evangelho de Jesus Cristo, a razão do Ano Santo, nos admoesta sobre alguma realidade que necessitamos mudar e precisamos arrepender-nos. Somos exortados à conversão de verdade, porque na conversão está a nossa salvação. É que Jesus nos interpela nesta parábola da figueira infrutífera. Importante é saber que Deus tem paciência e nos dá sempre novas oportunidades, uma última tentativa: “Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Caso contrário, corta-a”.
Por um lado, esta é uma parábola de compaixão, que produz consolo no discípulo que tropeça no caminho cristão, no seguimento de Jesus, na vivência dos valores do Evangelho. Por outro lado, é uma parábola de crise, que deveria acender um fogo entre procrastinadores e outros discípulos cristãos infrutíferos. Às vezes, por hábito optamos pelo adiamento ou atrasar nossas atividades, tarefas e compromissos assumidos, quem sabe, no início do Ano Jubilar, como por exemplo, a realização e a busca do Sacramento da Reconciliação, e em consequência disso, perdendo a oportunidade de lucrar as Indulgências e as graças que que obtemos como buscamos a Confissão!
Então, cada Tempo Jubilar é um tempo de conversão. É um tempo único e extraordinário! Um tempo que nunca deveríamos extraviá-lo as oportunidades que nos são oferecidas pela Igreja. Um tempo onde Deus nos oportuniza as mudanças necessárias para sermos autênticos discípulos missionários, produzindo frutos abundantes de fraternidade, justiça, de comunhão, de amor, de oblatividade e caridade e neste ano fomos convidados a produzir frutos e obras a partir da virtude da esperança.
Aos nossos fiéis leitores, desejo-lhes um feliz e abençoado Ano de 2026!
