UNIÃO BANDEIRANTE
O União Bandeirante Futebol Clube é uma das histórias mais folclóricas e nostálgicas do futebol paranaense. Temos pontos muito precisos que misturam a realidade dos fatos com a mística que cercava o “Caçula do Norte”.
Aqui estão os detalhes sobre a trajetória do clube:
Período de Atividade e Títulos
Fundação: 15 de novembro de 1964.
Desativação: O clube encerrou suas atividades profissionais em 2006, após disputar a segunda divisão estadual.
Conquistas: Embora nunca tenha vencido a primeira divisão (foi vice-campeão paranaense 5 vezes: 1966, 1969, 1971, 1989 e 1992), o União conquistou o Campeonato Paranaense da Segunda Divisão em 1988 e 1992.
O clube também teve participações memoráveis na Copa do Brasil e na Série C do Brasileiro.
O “Coronel” Luiz Meneghel e o Tiro na Bola
A história do tiro na bola é um dos grandes marcos do folclore esportivo brasileiro. Luiz Meneghel, o icônico presidente e usineiro (proprietário da Usina Bandeirantes), era conhecido por seu temperamento forte e por proteger o time a qualquer custo.
Diz a lenda — confirmada por muitos jogadores da época — que antes de um jogo decisivo, insatisfeito com a arbitragem ou para intimidar o adversário, ele teria sacado um revólver e atirado na bola, furando-a na frente de todos. O recado era claro: ali, quem mandava era ele. Outras variações dizem que ele deu o tiro para o alto ou que “limpava” a arma ostensivamente no banco de reservas para garantir que o juiz não apitasse contra sua equipe.
Celeiro de Craques: O Goleiro Fábio
O goleiro Fábio, ídolo histórico do Cruzeiro e atualmente no Fluminense (hoje com 45 anos de idade – está na 30ª. temporada). Ele deu seus primeiros passos no profissionalismo justamente no estádio Comendador Luiz Meneghel (conhecido como Vila Yannee). Ele defendeu o União Bandeirante entre 1997 e 1998, antes de ser transferido para o Vasco da Gama. Além de Fábio, o clube revelou outros nomes como o atacante Brandão e o lateral Nilton De Sordi.
Curiosidades Ortográficas
| Diferença de Grafia entre o nome da cidade e o nome do time: | |
| Cidade | Bandeirantes (com “s” no final) |
| Clube | União Bandeirante (no singular) – outro exemplo de grafia diferente: |
| Cidade | Curitiba (com “u”) |
| Clube | Coritiba (com “o” – grafia antiga da cidade na fundação do clube) |
O União Bandeirante era um “time de família” (dos Meneghel), sustentado pela força da cana-de-açúcar, e deixou um vazio no futebol do interior do Paraná pela sua capacidade de bater de frente com a capital.
O União Bandeirante foi, durante décadas, a maior pedra no sapato dos times da capital. Chegar a cinco finais do Campeonato Paranaense sendo um time do interior (e de uma cidade pequena) é um feito que impõe respeito até hoje.
Aqui estão os detalhes de decisões e a trajetória do lendário De Sordi:
As 5 Finais Contra a Capital
O União Bandeirante era conhecido como o “vice-campeão eterno”, mas isso escondia uma regularidade impressionante. O time peitava o “Trio de Ferro” (Athletico, Coritiba e Paraná Clube) de igual para igual.
1966 (Contra o Primavera): Logo após sua fundação, o União chegou à final. O adversário era o Primavera (time de Curitiba que depois se fundiu para formar o Pinheiros e, posteriormente, o Paraná Clube). O União perdeu, mas mostrou que o projeto dos Meneghel era sério.
1969 (Contra o Coritiba): Uma final eletrizante. O Coritiba venceu por 2 a 1 no Alto da Glória, impedindo o título do “Caçula do Norte”.
1971 (Contra o Coritiba): Novamente o Coxa no caminho. O União tinha um timaço, mas o Coritiba vivia sua era de ouro (o hexacampeonato) e levou a melhor.
1989 (Contra o Curitiba): Após anos de hiato, o União voltou ao topo. Perdeu a final para o Coritiba, mas a campanha foi épica, consolidando o clube como a terceira força do estado naquele ano.
1992 (Contra o Londrina): Esta foi a única final em que o adversário não era da capital, mas sim o rival do interior. O Londrina acabou ficando com o título após dois empates e uma vitória no jogo desempate.
Aqui estão os detalhes de decisões e a trajetória do lendário De Sordi:
Nilton De Sordi: O Gigante da Lateral
Um ponto fundamental da história do futebol brasileiro. Nilton De Sordi foi um dos maiores laterais-direitos da história, ídolo eterno do São Paulo FC, e sua relação com o União Bandeirante foi profunda.
Copa de 1958: De Sordi foi o titular absoluto da Seleção Brasileira durante quase toda a Copa do Mundo da Suécia. Ele jogou as partidas contra Áustria, Inglaterra, União Soviética, País de Gales e a semifinal contra a França.
A Substituição: Ele não jogou a final contra a Suécia. O motivo oficial foi uma lesão (um problema muscular ou fibrose no joelho), o que abriu espaço para Djalma Santos entrar na decisão. Djalma jogou apenas a final e foi eleito o melhor lateral-direito da Copa! Uma das maiores injustiças e, ao mesmo tempo, provas do nível técnico daquela seleção.
Legado em Bandeirantes: Após encerrar a carreira como jogador, De Sordi tornou-se treinador e fixou residência em Bandeirantes. Ele treinou o União Bandeirante em diversas ocasiões, inclusive em algumas dessas campanhas históricas. Ele se tornou um cidadão da cidade e o nome dele é uma figura indissociável da história do clube.
Curiosidade: O Estádio
O estádio onde essas batalhas aconteciam levava o nome do “coronel”: Estádio Comendador Luiz Meneghel. Era um alçapão onde a pressão da torcida e a figura do presidente criavam um ambiente quase impossível para os visitantes.
A história de Nilton De Sordi em Bandeirantes é, de fato, um capítulo onde a vida pessoal e o futebol se misturaram de forma definitiva.
A “Conexão Meneghel” e o Casamento
Diferente do que muitos pensam, De Sordi não casou com uma filha do Luiz Meneghel, mas a relação familiar era quase tão próxima quanto:
De Sordi era casado com Celina Maria Re.
O Elo Familiar: O que unia as famílias é que as irmãs de Dona Celina eram casadas com os irmãos Meneghel.
A Mudança: Foi justamente a esposa, Celina, quem convenceu De Sordi a deixar a capital paulista (após 13 anos de São Paulo FC) para morar no interior do Paraná em 1965. Como os cunhados dela eram os donos do time (os folclóricos irmãos Meneghel, como Serafim e Luiz), De Sordi encontrou em Bandeirantes um porto seguro.
A Longevidade: Por ser “da família”, ele teve uma estabilidade rara no futebol. Ele jogou pouco tempo no União (cerca de seis meses) e logo assumiu como técnico. Ele mesmo brincava que era “o único técnico que perdia o jogo e não caía”, justamente por esse laço de confiança e parentesco por afinidade com os donos da usina.
O Mistério da Final de 1958: De Sordi x Djalma Santos
A substituição de De Sordi por Djalma Santos na final contra a Suécia é um dos temas mais debatidos daquela Copa.
A Versão Oficial: De Sordi sofreu com dores musculares (algumas fontes citam fibrose no joelho) e, na época, não existiam substituições durante o jogo. Ele foi honesto com a comissão técnica: se ele entrasse e a perna “pifasse”, o Brasil jogaria a final com 10 homens.
A “Lenda do Amarelão”: Infelizmente, por muito tempo, espalhou-se a maldade de que ele teria “tremido” ou “amarelado” diante da decisão. De Sordi passou o resto da vida desmentindo isso com muita dignidade. Ele dizia: “Quem me conhecia sabia que eu não era assim. Estava acostumado a finais. Fiz o que era melhor para o Brasil”.
O Destino de Djalma Santos: Djalma entrou, jogou apenas os 90 minutos da final de forma impecável e foi eleito o melhor da posição no torneio. Isso acabou “apagando” um pouco o brilho de De Sordi, que foi o titular absoluto nos outros 5 jogos da campanha.
O Legado em Bandeirantes
De Sordi amava tanto a cidade que permaneceu lá até o fim de sua vida, em 2013. Ele era uma figura ilustre, frequentava a cidade e foi o técnico que deu a cara profissional e disciplinada ao União Bandeirante, equilibrando um pouco o temperamento explosivo dos Meneghel.
Curiosamente, ele também era conhecido na cidade por um hobby bem específico da região na época: ele gostava de rinha de galo, que mantinha nos fundos de sua propriedade.
Aqui estão alguns cruzamentos históricos que podem enriquecer essa pesquisa:
O Confronto de “Campeões do Interior”
O União Bandeirante era o “bicho-papão” do interior, acumulando títulos de Campeão do Interior (1966, 69, 71, 75, etc.). No entanto, em 1979, o CE União de Francisco Beltrão viveu seu momento de glória máxima ao conquistar a Segunda Divisão.
Na década de 80, com a subida do time beltronense, os dois “Uniões” se enfrentaram pelo Campeonato Paranaense.
Eram jogos de “choque de gestão”: de um lado, a fortuna da Usina Bandeirantes (família Meneghel); do outro, o esforço dos empresários beltronenses liderados por nomes como Osmar Brito e Célio Bonetti.
A Passagem de Atletas e Técnicos
Era muito comum jogadores que não encontravam espaço no elenco estelar do União Bandeirante (que chegava a ter folhas salariais de time grande) acabarem reforçando os times do Sudoeste.
Amistosos de Luxo: Naquela época, o União Bandeirante viajava muito pelo Paraná para fazer amistosos e “exibir” suas estrelas (como Tião Abatiá e Paquito). Francisco Beltrão, com o Estádio Anilado, era uma parada estratégica para medir forças contra o futebol do Sudoeste.
A Conexão De Sordi: Como De Sordi foi técnico por décadas em Bandeirantes, ele era o grande “olheiro” do estado. Muitos jogadores de Beltrão que se destacavam no amador sonhavam em ser levados por ele para o Norte.
Em Bandeirantes: O comando era centralizado no “tiro e no grito” de Luiz e Serafim Meneghel.
Em Beltrão: Sabe-se que o movimento era mais comunitário e associativo, com a participação de vários empresários locais e o apoio da prefeitura (como na época de João Arruda).
Detalhe sobre De Sordi em Beltrão
Há relatos de que De Sordi, em suas andanças como técnico, admirava a garra do jogador do Sudoeste, que ele considerava “mais forte fisicamente” por causa do trabalho no campo. Se um time de Beltrão jogava por amor, o União Bandeirante jogava pelo orgulho de uma família.
Vale incluir nesta pesquisa um pequeno “box” comparando a mística do Estádio Anilado com a do Vila Yannee (Luiz Meneghel) Ambos eram territórios onde os times da capital entravam com medo.
Concluindo: nomes como de Tião Abatiá e Paquito citados neste comentário, foram além fronteiras do Paraná, jogaram em outros times do Brasil, além do União Bandeirante. Por curiosidade, vale lembrar que Paquito foi treinador do Francisco Beltrão FC logo nos primeiros anos de atividades da equipe beltronense na 1ª. e na 2ª. divisão paranaense,

