AH, SE EU FOSSE CAPITU…
(Cleusa Piovesan)
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Se eu fosse Capitu…
Teria atraído o jovem Bentinho
A uma ilha longínqua e deserta
Desprendido da carolice da mãe
Dos cruéis ardis de José Dias
E ele me veria bela e inocente
Sem olhos de “cigana oblíqua”
Só o olharia dissimuladamente
Se eu fosse Capitu…
Eu teria “olhos de ressaca”
De passar as noites acordada
Enrolada numa rede com Bentinho
Aconchegada em seu abraço
Contaríamos estrelas ao luar
Com o mar murmurando desejos
Sem o olhar da inveja a nos mirar
Se eu fosse Capitu…
Eu cantaria como uma sereia
Faria amor com ele debaixo d’água
Falaríamos apenas com os olhos
Ele sucumbiria aos meus encantos
Enroscado em meus cabelos
Nossas bocas se procurando
Saciando todos os apelos
Se eu fosse Capitu…
Nessa história não haveria Escobar
Nem a tentação por qualquer outro
Ah, amor nascido na inocente puberdade
Eu virgem flor a desabrochar
Bentinho em seus verdes anos
Sem malícias, apenas sonhos
A eternidade, juntos… lindos planos
Se eu fosse Capitu…
Não voltaria à civilização
A ilha seria o berço de nosso amor
No mar eu jogaria nosso passado
Na pedra gravaria nossos nomes
Nossa música seria canto de passarinho
Não trairia meu desejo pueril
Passaria dias e noites amando Bentinho
Se eu fosse Capitu…
Nosso final seria feliz
Bentinho não teria dom para “Casmurro”
Entregue a paixões mundanas
Tentando “atar as duas pontas da vida”
Eu seria “fonte de vida” ao seu lado
A desenhar sonhos de futuro
Sobre nós… só o “manto azulado”
Ah, se eu fosse Capitu…
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Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras, Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; organizadora de dois livros com alunos, e 12 obras de autoria própria; tem participação em mais de 50 antologias e coletâneas; é Acadêmica do Centro de Letras do Paraná, da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas, da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas, e do Centro de Letras de Francisco Beltrão.
