Religiões

História da Diocese – 60 anos

Pe. Valdecir Bressani

Criada no dia 14/01/1958 pelo Papa Pio XII, através da Bula Quoniam Venerabilis Frater, a Diocese de Palmas-Francisco Beltrão celebra em 2018 seus 60 anos de história. Solenemente no dia 14 de janeiro todas as 47 Paróquias que pertencem à Diocese irão celebrar o início das comemorações, que se estenderão ao longo de todo o ano. No dia 20 de maio, festa de Pentecostes, em Francisco Beltrão, acontecerá a grande celebração de ação de graças, com o lema “Recordar com gratidão, celebrar com esperança”.

Os precedentes históricos à formação da Prelazia e depois a criação da Diocese nos remetem ao século XVIII. A descoberta dos chamados Campos de Palmas aconteceu na década de 1720 por obra do bandeirante curitibano Zacarias Dias Côrtes. Os primeiros pioneiros chegaram nesta região, que mais tarde corresponderia ao território da Diocese de Palmas, entre os anos 1836 a 1839. A emancipação política do município, desmembrado de Guarapuava, ocorreu em 14 de abril de 1879.

 Em 6 de agosto de 1836, Festa da Transfiguração do Senhor uma comitiva de bandeirantes, acompanhada pelo padre Ponciano José de Araújo, confirmou que o padroeiro deste torrão seria o Senhor Bom Jesus da Coluna, na época, pertencente à Diocese de São Paulo, mas atendida por Ponta Grossa e Guarapuava.

 Quase duas décadas depois, no dia 28 de fevereiro de 1855, Palmas foi elevada à categoria de Freguesia, status hoje correspontente à Paróquia. No dia 27 de abril de 1892, o Papa Leão XIII passava Palmas para a Diocese de Ponta Grossa, onde permaneceu até 17 de janeiro de 1927, quando Pio XI decretou que a Freguesia de Palmas pertencesse à Diocese de Lages, no Estado de Santa Catarina.

 A presença da Igreja nesta região registra o trabalho de diversos sacerdotes: Padre Ponciano José de Araújo (1840), Padre Manoel Chagas (1842), Padre Joaquim Goncalves Pacheco (1852), Padre Francisco Xavier Pimenta (1854 – 1869), Padre Dionísio Corsano (1859 – 1870), Padre José Bilbao (1870 – 1878), padre Achiles Saporiti (1878 – 1903).

 A partir da data de 10 de maio de 1903, a paróquia de Palmas foi entregue aos padres franciscanos. O primeiro pároco foi Frei Redempto Kullmann. Os franciscanos ficaram em Palmas até 1964, tendo sido Frei Sebaldo Flotgen, o último franciscano a exercer o cargo de pároco. A partir de 1964 chegaram os Padres Diocesanos, que estão na paróquia até esta data.

 A Prelazia de Palmas foi criada no dia 9 de dezembro de 1933 pelo Papa Pio XI, através da Bula Ad Maius Christifidelium Bonum. No começo, o território da Prelazia abrangia parte dos municípios de União da Vitória e de Pinhão, além de todo o Sudoeste do Paraná, passando pelo extremo Oeste de Santa Catarina até a Cidade de Chapecó.

 Dom Antonio Mazzaroto, Bispo de Ponta Grossa, foi nomeado o primeiro Administrador Apostólico da Prelazia, vindo a assumi-la em 7 de maio de 1934. Dois anos depois o trabalho de organização e o cuidado pastoral da Prelazia foi confiado ao Frei Carlos Sabóia Bandeira de Mello, que chegou a Palmas em 12/12/1936. Passados 11 anos, em 13 dezembro de 1947, o Papa Pio XII, nomeou Frei Carlos para ser Bispo titular de Girba, na Itália e Bispo Prelado de Palmas. Sua Ordenação, na época denominada, Sagração Episcopal, ocorreu no dia 14 de março de 1948, em Petrópolis-RJ, sua terra natal, tendo por lema: “A caridade de Cristo nos impele”. Dom Carlos assumiu como Bispo a Prelazia de Palmas, no dia 1º de maio de 1948, com grande festa por toda a cidade e região. Na época a população estimada deste território era de 111 mil pessoas, entre as quais 1.600 índios Coroados, Guaranis e Caigangues.

A fim de favorecer a formação dos futuros sacerdotes foi criado o primeiro Seminário na residência prelatícia ainda em 31 de janeiro de 1939 e a inauguração do Seminário São João Maria Vianney, na Chácara Branca de Dona Doca Ribas, atual Vila Militar, aconteceu no ano seguinte, em 25 de março de 1940. A instalação da pedra fundamental do atual Seminário João Maria Vianney, à Rua Frei Jacob aconteceu em 29 de junho de 1959 e a inauguração do atual seminário no dia 14 de maio de 1964.

 Após 25 anos de Prelazia aconteceu a criação da Diocese de Palmas em 14 de janeiro de 1958, permanecendo como Bispo Dom Carlos. A instalação da nova Diocese ocorreu em 14 de março de 1959, em celebração presidida pelo Núncio Apostólico Dom Armando Lombardi, na presença de autoridades da Igreja, do governador Moysés Lupion e demais membros do Executivo do Estado, além de fiéis de toda a região, que acompanharam também a posse de Dom Carlos como primeiro Bispo da nova Diocese, que permaneceu à frente da mesma até o dia de sua morte, em 7 de Fevereiro de 1969, então com 66 anos de idade. Com a criação da Diocese de Palmas, aconteceu também a criação da Diocese de Chapecó – SC, que até então pertencia à Prelazia de Palmas. Portanto, Palmas e Chapecó são dioceses “gêmeas”.

 Com a morte de Dom Carlos a diocese passou a ser coordenada por um Administrador Apostólico, Dom Geraldo Micheletto Pelanda, Bispo de Ponta Grossa. O Papa Paulo VI nomeou o então Frei Agostinho José Sartori como segundo Bispo da Diocese de Palmas, em 16 de fevereiro de 1970. A Ordenação – Sagração Episcopal – de Dom Agostinho ocorreu no dia 26 de abril de 1970, em Curitiba, tendo como lema “Até que Cristo se forme em vós.” O novo bispo assumiu a diocese no dia 14 de junho de 1970, sendo o segundo bispo diocesano e governou a Diocese por 35 anos.

 Hoje a diocese é denominada Palmas-Francisco Beltrão, tendo sua Catedral em Palmas-PR, cuja edificação atual foi inaugurada em 10/01/1982 e uma Concatedral em Francisco Beltrão. Tendo em vista a localização de Francisco Beltrão, para prover melhor o bem espiritual dos fiéis, a pedido de Dom Agostinho José Sartori, o Papa João Paulo II, por meio da Sagrada Congregação para os Bispos, pelo Decreto Cum urbis, elevou à dignidade e distinção de Concatedral a Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória de Francisco na data de 7 janeiro de 1987. A Consagração aconteceu no dias 16 de agosto do mesmo ano, Festa da Assuncão de Maria. A partir daí a Diocese passou a se chamar Palmas-Francisco Beltrão. Com isso a Cidade de Francisco Beltrão foi reconhecida como sub-sede diocesana.

 A Diocese recebeu um Bispo Auxiliar, Dom Luiz Vicente Bernetti no ano de 1996. Ordenado no dia 25 de agosto de 1996 com o lema “Ide, pregai o Evangelho”, permeneceu até a data de 2 de fevereiro de 2005, quando foi nomeado, pelo Papa João Paulo II, Bispo Diocesano de Apucarana, no Norte do Paraná.

 Dom José Peruzzo, terceiro bispo diocesano foi ordenado na Catedral de Cascavel no dia 23 de novembro de 2005 e tomou posse na Concatedral Nossa Senhora da Glória em Francisco Beltrão no dia 9 de dezembro de 2005. Na ocasião revelou Dom José: “O sentimento é de gratidão, essa gente não me conhece, e já me ama, por isso sou muito grato.”

Dom José permaneceu como bispo da diocese até 18 de março de 2015. Na Vacância assumiu como administrador diocesano padre Geraldo Macagnan até a ordenação e posse do quarto bispo, Dom Edgar Xavier Ertl, em 23 de julho de 2016, também na Concatedral Nossa Senhora da Glória.

Dom Edgar foi nomeado pelo Papa Francisco em 27 de abril de 2016 e sua ordenação e posse foi aguardada com muita expectativa por toda a Igreja diocesana. O novo bispo assumiu como lema “Em Cristo sou vosso servo”. No dia seguinte, Dom Edgar assumiu sua Cátedra na Catedral do Senhor Bom Jesus da Coluna, na cidade de Palmas, sede principal da Diocese.

Geograficamente a Diocese possui uma área territorial de 18.719 km2, com uma população de 622.874 habitantes. Ela está distribuída atualmente em 42 Municípios organizando-se a partir de 46 Paróquias e uma Reitoria, “quase paróquia”, totalizando 1.109 comunidades.

Na perspectiva estrutural, o trabalho da Diocese está assim organizado: Bispo Diocesano; Vigário Geral; Coordenador da ação evangelizadora; Colégio de Consultores; Conselho de Presbíteros; Conselho de Formadores e Conselho Econômico; Conselho Diocesano Pastoral.

No território diocesano existem três seminários diocesanos: Seminário Menor São João Maria Vianney, em Palmas; Seminário propedêutico Jesus de Nazaré, em São João; Seminário Maior de Filosofia Bom Pastor em Francisco Beltrão. Os seminaristas diocesanos terminam sua formação cursando a Teologia em Curitiba e Cascavel. Também há dois seminários religiosos: Padres Cavanis, em Realeza; Agostinianos Descalços em Ampére. Além dos seminários a Diocese conta com 28 Comunidades Religiosas Femininas dentre elas o Mosteiro Nossa Senhora do Carmo e São José, das Irmãs Carmelitas e uma comunidade Religiosa Masculina.

Na piedade Mariana destacam-se 4 santuários Diocesanos: Nossa Senhora de Fátima – Palmas; Nossa Senhora Aparecida – Santa Isabel; Nossa Senhora da Saúde – Cruzeiro do Iguaçu; Nossa Senhora da Salete – Renascença.

Destaca-se também a Casa de Formação Divino Mestre, situada no monte Tabor em Francisco Beltrão, cuja edificação iniciou no dia 15/08/1990, sendo um espaço diocesano para a formação de lideranças.

O dinamismo pastoral efetivado pelas lideranças estende-se através das Pastorais existentes e Movimentos. Com relação às pastorais, que é um serviço em nome da Igreja, existem na diocese: Catequese; Liturgia; Juventude; Vocacional (SAV); Criança; Saúde; Familiar (Grupos de Família); Educação; Carcerária; Dízimo; Comunicação; Pessoa Idosa; Surdos/Mudos; Adolescente; AIDS; Ecumenismo e diálogo inter-religioso; Sociais e Indígenas. Em relação aos Movimentos, que na igreja se caracterizam como associações de fiéis em grupos com carismas e finalidades específicas, existem: Legião de Maria; Apostolado da Oração; Cursilho de Cristandade; Lareira; Jornada Jovem; Renovação Carismática Católica, Oficinas de Oração e Vida e Serra Club. Acrescenta-se a essas pastorais e movimentos: Conselho Missionário Diocesano (COMIDI); Conselho Missionário dos Seminários (COMISE); Infância e Adolescência Missionária (IAM); Equipe Diocesana da Campanha da Fraternidade; Núcleo Diocesano da CRB; Equipe Diocesana dos Ministros Auxiliares da Comunidade e Equipe Diocesana de CEB’s. A integração de todas as pastorais, movimentos e associações, se dá especialmente através do Conselho Diocesano de Pastoral que se realiza na diocese duas vezes ao ano.