Mensagem do Papa aos Jovens!
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
A peregrinação tem um papel vital a desempenhar em nossa vida de fé, pois ela nos tira de nossas casas e rotinas diárias e nos dá tempo e espaço para encontrar Deus mais profundamente. Esses momentos sempre nos ajudam a crescer, pois por meio deles o Espírito Santo nos modela suavemente para que nos conformemos cada vez mais com a mente e o coração de Jesus Cristo”.
Dirigindo-se diretamente aos jovens, recordou que Deus criou cada um com um propósito e uma missão nesta vida. Portanto, usem essa oportunidade para ouvir e rezar, para que possam ouvir mais claramente a voz de Deus chamando-os no fundo de seus corações. Ao mesmo tempo, estejam abertos para permitir que a graça de Deus fortaleça sua fé em Jesus, para que possam compartilhá-la mais prontamente com os outros.
“Eu acrescentaria que hoje, com muita frequência, perdemos a capacidade de ouvir, de realmente ouvir. Ouvimos música, temos nossos ouvidos inundados constantemente com todos os tipos de estímulo digital, mas às vezes nos esquecemos de ouvir nosso próprio coração e é em nosso coração que Deus fala conosco, que Deus nos chama e nos convida a conhecê-lo melhor e a viver em seu amor.”
Antes de concluir, uma recomendação: “Ao voltarem para casa, lembrem-se de que a peregrinação não termina, mas muda seu foco para a ‘peregrinação diária do discipulado’. Somos todos peregrinos e estamos sempre peregrinando, caminhando ao procurar seguir o Senhor e ao buscar o caminho que é verdadeiramente nosso na vida. Isso certamente não é fácil, mas com a ajuda do Senhor, a intercessão dos santos e o encorajamento mútuo, vocês podem ter certeza de que, enquanto permanecerem fiéis, confiando sempre na misericórdia de Deus, a experiência dessa peregrinação continuará a dar frutos ao longo de suas vidas”.
O Pontífice reconhece as feridas que os jovens carregam no coração, especialmente após a experiência da pandemia: isolamento, instabilidade familiar, incertezas globais. Situações que podem nos distanciar do caminho da fé, mas não da presença de Deus.
De muitas maneiras diferentes, Deus está procurando vocês, está chamando vocês, convidando a conhecer o seu Filho Jesus Cristo, através das Escrituras, talvez através de um amigo ou de um parente…, um avô ou uma avó, que pode ser uma pessoa de fé. Para descobrir o quão importante é para cada um de nós prestar atenção à presença de Deus no nosso coração, a esse desejo de amor na nossa vida, procurar, procurar verdadeiramente, e encontrar as formas pelas quais podemos fazer algo com a nossa vida para servir os outros.
Leão XIV não ignora os momentos de ansiedade, solidão, depressão ou tristeza que marcam a existência. Mas esses mesmos estados de espírito podem ser superados abrindo-nos aos outros, vivendo em serviço, redescobrindo o “verdadeiro sentido da vida”, na amizade e na comunidade.
Descobrir que o amor de Deus é verdadeiramente capaz de curar, que traz esperança e que, na realidade, encontrando-nos como amigos, como irmãos e irmãs, numa comunidade, numa paróquia, numa experiência de vida vivida juntos na fé, podemos descobrir que a graça do Senhor, o amor de Deus, pode verdadeiramente curar-nos, pode dar-nos a força de que necessitamos, pode ser a fonte daquela esperança de que todos necessitamos na nossa vida. Compartilhar esta mensagem de esperança uns com os outros – conscientizar, servir, procurar maneiras de tornar o nosso mundo um lugar melhor – dá vida verdadeira a todos nós e é um sinal de esperança para o mundo inteiro.
Assim como os jovens olham “ao redor” em busca de seu lugar no mundo, um chamado ressoa: “Precisamos de vocês, queremos vocês conosco”. Para realizar uma missão que transcende os limites eclesiais, que diz respeito a toda a sociedade: anunciar uma autêntica mensagem de esperança, promover a paz e a harmonia entre os povos. “Aos jovens aqui reunidos, gostaria de dizer, mais uma vez, que vocês são a promessa de esperança para muitos de nós.”
Contra toda forma de egoísmo e fechamento, Leão XIV convida a buscar caminhos de unidade para difundir a mensagem de esperança. Uma resposta, como frequentemente acontece, o Papa encontra nos escritos de Santo Agostinho: “Se queremos que o mundo seja um lugar melhor, devemos começar por nós mesmos, devemos começar pela nossa vida, pelo nosso coração”. Assim, cada um pode se tornar um “farol de esperança” para os outros.
Essa luz, que talvez não seja fácil de ver no horizonte; e, no entanto, à medida que crescemos em nossa unidade, à medida que nos reunimos em comunhão, descobrimos que essa luz se torna cada vez mais brilhante. Essa luz que, na realidade, é a nossa fé em Jesus Cristo. E podemos nos tornar essa mensagem de esperança, para promover a paz e a unidade em todo o mundo.
Leão XIV reconhece a inquietação que habita o coração “inquieto” do homem contemporâneo. Essa inquietação não é algo negativo, e não devemos buscar maneiras de apagar o fogo, de eliminar ou mesmo de nos anestesiar diante das tensões que sentimos, das dificuldades que vivemos. Em vez disso, devemos entrar em contato com o nosso coração e reconhecer que Deus pode agir em nossa vida, por meio dela, e, por meio de nós, alcançar outras pessoas.
No encontro das pessoas que vieram “celebrar a sua fé”, o próprio Papa reconhece “quanta esperança há no mundo”. A mesma esperança que, como diz São Paulo, “não desilude”.
Neste Ano Jubilar da Esperança, Cristo, que é a nossa esperança, chama verdadeiramente todos nós a nos unir, para que possamos ser um verdadeiro exemplo vivo: a luz da esperança no mundo de hoje.
Num mundo em movimento, Leão XIV pede para parar, mesmo que por um instante, para abrir o nosso coração “a Deus, ao amor de Deus, àquela paz que só o Senhor pode nos dar”.
Para sentir quão profundamente belo, quão forte, quão significativo é o amor de Deus em nossa vida. E para reconhecer que, embora não façamos nada para merecer o amor de Deus, Deus, em sua generosidade, continua a derramar seu amor sobre nós. E enquanto nos dá seu amor, ele apenas nos pede para sermos generosos e partilhar com os outros o que Ele nos deu.
Cúria Diocesana – Diocese de Palmas Francisco Beltrão – PR.
