O Japão finalmente descobriu quem está comprando terras ao lado de suas bases militares
Pela primeira vez na história moderna do Japão, o governo está prestes a saber exatamente quem está comprando terras ao lado de instalações estratégicas do país.
E o nome por trás dessa mudança é Kimi Onoda.
Desde que assumiu a pasta ligada aos residentes estrangeiros no governo Sanae Takaichi, o tema saiu dos bastidores e entrou de vez na pauta de segurança nacional.

Quando o governo finalmente decidiu investigar o problema, encontrou algo muito maior do que imaginava.
Somente em um ano, indivíduos e empresas estrangeiras adquiriram 3.498 propriedades localizadas a menos de um quilômetro de áreas consideradas sensíveis no Japão.
Bases militares.
Instalações americanas.
Prédios do governo.
Portos.
Usinas.
Estruturas estratégicas.
Quase metade dessas aquisições — 1.674 casos — veio de um único país: China.
Taiwan apareceu em segundo lugar com 414 registros.
Coreia do Sul teve 378.
Estados Unidos, 211.
Só Tóquio concentrou 1.558 aquisições.
A região mais intensa foi ao redor da escola médica das Forças de Autodefesa do Japão e do centro militar americano New Sanno, em Hiroo.
E o debate agora deixou de ser econômico. Passou a ser geopolítico. Porque um terreno ao lado de uma base não é apenas um terreno.
Pode virar ponto de observação.
Área de monitoramento.
Pressão estratégica.
Interferência de sinais.
Ou simplesmente presença física permanente em locais extremamente sensíveis.
Num possível cenário de crise envolvendo Taiwan — algo que o Japão e os EUA simulam constantemente — essas áreas poderiam ganhar importância militar imediata.
O detalhe mais chocante é outro:
Até hoje, o Japão praticamente não exigia que compradores informassem sua nacionalidade no registro de imóveis. Na prática, o país não conseguia responder a uma pergunta básica:
“Quem está do outro lado da cerca?”
Agora isso muda. A nova regra exigirá que compradores estrangeiros registrem oficialmente sua cidadania no momento da compra.
Empresas também terão de revelar a nacionalidade de executivos e acionistas majoritários em aquisições de “terras importantes”, fechando brechas usadas há anos através de empresas de fachada.
Durante muito tempo, setores políticos ligados ao antigo equilíbrio de coalizão evitaram endurecer esse controle. Mas o cenário político mudou. E o Japão parece ter decidido que segurança territorial deixou de ser um assunto secundário.
A pergunta agora é simples:
Qualquer país do mundo não deveria ter o direito de saber quem está comprando terrenos ao lado de suas próprias bases militares?
Fonte: Connexion.Tokyo

