Os sete pedidos do Pai Nosso
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
O Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC nn. 2803-2806) descreve em detalhes os sete pedidos do Pai Nosso, ou noutra tradução as “sete petições” que a chamamos de “oração dominical” porque foi ensinada por nosso Senhor e por isso tem um lugar privilegiado no cotidiano dos cristãos – as petições são como um “programa de vida espiritual” dos seguidores de Jesus Cristo. Não é por acaso que o primeiro texto após os escritos do Novo Testamento, a Didaqué – “ensino”, “doutrina”, “instrução”, também chamado “Instrução dos Doze Apóstolos” –, dê ênfase especial ao Pai-Nosso, indicando aos primeiros fiéis que essa oração deve ser recitada “três vezes ao dia” (VIII, 2)
Depois de nos termos postos na presença de Deus nosso Pai, para O adorarmos, amarmos e bendizermos, o Espírito filial faz brotar dos nossos corações sete petições, que são sete bênçãos. As três primeiras, mais teologais, atraem-nos para a glória do Pai; as quatro últimas, como caminhos para Ele, expõem a nossa miséria à sua graça.
O primeiro conjunto leva-nos até Ele, para Ele: o vosso Nome, o vosso Reino, a vossa vontade! É próprio do amor pensar, em primeiro lugar, n’Aquele que amamos. Em cada um dos três pedidos, nós não “nos” nomeamos, mas o que nos move é o “desejo ardente”, é mesmo “a ânsia” do Filho bem-amado pela glória de seu Pai: “Santificado seja […]. Venha […]. Seja feita…”. Estas três súplicas já foram atendidas no sacrifício de Cristo Salvador, mas agora estão orientadas, na esperança, para o seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos.
O segundo conjunto de petições segue a dinâmica de certas epicleses – “invocar sobre” – eucarísticas: é oferenda das nossas expectativas e atrai o olhar do Pai das misericórdias. Parte de nós e diz-nos respeito já agora, neste mundo: “Dai-nos […], perdoai-nos […], não nos deixeis […], livrai-nos…”. A quarta e quinta petições dizem respeito à nossa vida, como tal, quer para a alimentar, quer para a curar do pecado. As duas últimas dizem respeito ao nosso combate pela vitória da vida, que é o próprio combate da oração.
Pelas três primeiras petições somos confirmados na fé, repletos de esperança e abrasados pela caridade. Criaturas e, para além disso, pecadores, devemos pedir por nós – um “nós” à medida do mundo e da história – que entregamos ao amor sem medida do nosso Deus. Pois é pelo nome do seu Cristo e pelo Reino do seu Espírito Santo que o nosso Pai realiza o seu desígnio de salvação para nós e para todo o mundo.
“Quando ora, Jesus já nos ensina a orar”
Jesus ensinou a rezar: “Quando orardes, dizei assim!” (cf. Mateus 6,9).
1º Pedido: Santificado seja o vosso nome;
2º Pedido: Venha a nós o vosso Reino;
3º Pedido: Seja feita a vossa Vontade assim na terra como no céu;
4º Pedido: O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
5º Pedido: Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
6º Pedido: Não nos deixeis cair em tentação;
7º Pedido: Mas livrai-nos do Mal.
“A oração é diálogo com Deus”, disse o Papa Francisco. A partir dos setes pedidos, façamos, pois, quer individualmente e, quem sabe, quer no seio familiar e eclesial, a experiência de rezar ao longo do dia, um dos pedidos, demorando-nos, sem pressa, dialogando com o Senhor, a fim de que a súplica parta do nosso íntimo ao coração de Deus. Isso é certo: A fecundidade da nossa vida depende da oração. Finalmente, nos próximos artigos ao longo deste ano de 2024, havemos de publicar aqui uma catequese para cada um dos sete pedidos, para facilitar a oração dos nossos leitores e diocesanos.
