Setembro Amarelo: suicídio é a quarta causa de morte na faixa etária de 15 a 29 anos
O mês é marcado por ações de prevenção ao suicídio em todo o país, através da campanha Setembro Amarelo. (Marcelo Camargo/ABr)
Fonte: Bem Paraná
Chegou o Setembro Amarelo, a maior campanha anti estigma do mundo e que alerta para os casos de suicídio. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama, ou guerras e homicídios.
E, entre a faixa etária de 15 a 29 anos, o suicídio é a quarta causa e morte depois de acidentes no trânsito, doenças respiratórias e violência interpessoal. Mas, conforme a idade, pode ocupar até a terceira posição como causa de morte.

No Brasil os casos também chamam a atenção. Em 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 11.502 internações relacionadas a lesões em que houve intenção deliberada de infligir dano a si mesmo, o que dá uma média diária de 31 casos. O total representou naquele ano um aumento de mais de 25% em relação aos 9.173 casos registrados quase dez anos antes, em 2014.
Campanha e sinais
O mês é marcado por ações de prevenção ao suicídio em todo o país, através da campanha Setembro Amarelo.
Entre as principais mensagens, está identificar os sinais que podem levar às ocorrências.
Não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida. Entretanto, um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo.
Entre os sinais que devem chamar a atenção das pessoas estão isolamento, mudanças na alimentação e no sono, automutilação, autodepreciação, interrupção de planos e abandono de estudo e emprego.
O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Mas pode ser prevenido, dependendo de determinadas ações.
Universidades estaduais do Paraná ofertam atendimento psicológico de graça
A população pode buscar acolhimento psicológico gratuito nas clínicas-escola das universidades estaduais de Londrina (UEL), de Maringá (UEM) e do Centro-Oeste (Unicentro). A iniciativa ganha destaque no Dia do Psicólogo, marco da regulamentação da profissão no Brasil comemorado na última quinta-feira.
Os atendimentos nas três instituições de ensino superior são conduzidos por estudantes de graduação em Psicologia, a partir do quarto ano, com orientação e supervisão de professores.
As unidades, localizadas nos municípios de Irati, no Centro-Sul, Londrina, na região Norte, e Maringá, no Noroeste do Paraná, atendem crianças, adolescentes, adultos e idosos. O serviço contempla diferentes abordagens, com modalidades de terapia individual, familiar e de casal, além de plantões de acolhimento psicológico e grupos terapêuticos. Entre as opções disponíveis nas clínicas-escola está a orientação profissional para jovens com a aplicação de testes vocacionais.
Os cidadãos interessados passam por uma triagem, por ordem de inscrição, para avaliar as necessidades de cada paciente antes de iniciarem os tratamentos.
As universidades também desenvolvem projetos de extensão nos espaços das clínicas direcionados para públicos específicos, incluindo cuidados com a saúde mental de trabalhadores, mediação de situações no ambiente escolar e ações comunitárias em diferentes temas.
O atendimento para a população podem ser conferidos nos sites das instituições.
No fim do mês tem a Semana do Trânsito
Setembro também é o mês da Semana do Trânsito. A Semana Nacional do Trânsito em 2026 acontece entre os dias 18 e 25 de setembro, e assim como Setembro Amarelo, chama atenção para os acidentes de trânsito, outro grande problema nacional.
O objetivo da Semana do Trânsito é conscientizar motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres sobre a importância da segurança e da responsabilidade nas vias públicas.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Paraná é o terceiro com mais mortes no trânsito em todo o país.
Entre janeiro de 2016 e maio de 2026 (último mês com dados disponíveis), 27.081 pessoas faleceram no estado em decorrência de acidentes de transporte terrestre.
Só em 2026 já houve 903 óbitos nas estradas, enquanto em 2025 e 2024 registraram 2.700 e 2.852 mortes. Os dados de dois anos atrás, inclusive, representam o maior número de mortes no trânsito num único ano desde 2014 no estado.
No ano passado todo, Curitiba contabilizou mais de 85 mil ocorrências no trânsito, número bem maior que as 73 mil de 2024. E uma projeção para 2026 baseada no total de registros no primeiro semestre — 23 mil — indica que a cidade pode fechar o ano com 92 mil casos.
O custo para atender as vítimas de trânsito em Curitiba, levando em conta apenas os gastos hospitalares, atingiu R$ 37,1 milhões em 2025 na assistência de 9.229 casos, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Mas, levando em conta os traumas, sequelas graves e mortes violentas, o valor é muitas vezes superior. O custo social pode chegar a R$ 806 milhões.

