Tempo Pascal: O Ressuscitado entre nós!
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
Após o período quaresmal, com a alegria da Páscoa e da Ressureição do Senhor, a primeira característica fundamental do Tempo Pascal que é um “período de grande alegria”. Algumas festas principais do cristianismo precisam de certo tempo para serem acolhidas e assimiladas. Na Igreja primitiva, o mistério pascal era celebrado não só nos três dias do Tríduo, mas também nas sete semanas seguintes, conhecidas como “Tempo pascal dos cinquenta dias”, como recorda o termo grego pentecostes = 50º dia.
A normativa litúrgica aconselhou os cristãos a celebrarem os cinquentas dias que se sucedem do Domingo do Ressuscitado (05 de abril) até o Domingo de Pentecostes (24 de maio), “com exultação e alegria, como um único dia de festa, aliás, como o “grande domingo” em que a Igreja se alegra, com o cântico de Aleluia, pela vitória do Senhor sobre a morte e pela vida nova que a participação no Mistério Pascal fez germinar nos fiéis. Não é por acaso que os domingos desse período não se chamam domingos “depois da Páscoa”, mas sim domingos “da Páscoa”, que com o seu conteúdo mistérico se expande neste tempo repleto da presença do ressuscitado. É precisamente esta presença que faz com que o período pascal seja considerado como período de grande alegria, expressão cara a Tertuliano, período habitado por imensa alegria pela promessa mantida pelo Senhor: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).
Enquanto a liturgia deste período pascal nos leva a rezar pedindo ao Pai poder viver “com ardor estes dias de júbilo em honra do Senhor ressuscitado”, exorta-nos também, à medida que os dias passam inexoravelmente, a reconhecer o Ressuscitado que está no meio de nós, superando o medo do tempo que tudo devora e as situações de precariedade e vulnerabilidade que nos prendem na solidão e no desânimo. É, portanto, uma mensagem de esperança aquele que vem do Tempo Pascal e se destina ao tempo presente, marcada pela preocupação com o futuro! O renovado esforço de que o cristão deve estar investido é revigorado a partir da consciência de que este Tempo é tempo de renascimento e de comunhão fraterna. E pessoas renascidas e renovadas na força do Ressuscitado são pessoas felizes e portadoras de uma esperança diferenciada.
Características próprias dos hemisférios
A Páscoa coincide com o período da primavera – nos países do hemisfério norte, no outono, nesta parte do Planeta, no Sudoeste do Paraná, nosso chão, lá no outro lado do Planeta, norte, época em que tudo volta à vida, e isso não gera meros efeitos sentimentais, mas provoca um despertar da consciência do homem para que volte a pertencer a Cristo e a se reconhecer como criatura de Deus. A presença do Ressuscitado em meio a seus discípulos é fonte de vida nova, vida inaugurada pela Páscoa, pela qual a eternidade flui de volta ao tempo presente, contagiando-o de nova vitalidade, logo o Tempo Pascal é o tempo do renascimento.
Outra característica em destaque no Tempo Pascal é o da comunhão fraterna. A comunidade cristã primitiva, no dia seguinte à Ressureição do Senhor, reúne-se na escuta da Palavra de vida e na partilha fraterna. Jesus Ressuscitado educa os Apóstolos, por meio das aparições, a compreender os novos sinais de sua presença no mundo. Ele, o Vivente, deixando-se tocar e partindo o pão, mostra-se como o Bom Pastor, o Caminho, a Videira. Ao unir os irmãos no amor, tornando-os um só coração e uma só alma, Ele também apoia aqueles que se encontram nas adversidades da vida.
A consciência, portanto, de que o Ressuscitado continua a viver hoje na Escritura, na Eucaristia, nos Sacramentos e na Igreja não escapa à nossa sensibilidade de cristãos, lugares onde podemos haurir a força da fé, a paciência da esperança e o impulso da caridade. O corpo do Ressuscitado, retirado da Cruz e colocado no sepulcro, vive agora permanentemente ao nosso lado. Vivamos profundamente os cinquenta dias do Tempo Pascal como um grande e único domingo: O Domingo da Ressureição. Alegremo-nos!
