“Politikos”
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão
Neste domingo, 04 de outubro de 2026, iremos às urnas para escolher, ou melhor, delegar em nosso nome e da sociedade brasileira, homens e mulheres idôneos e capazes do exercício na administração, seja na esfera legislativa como na executiva das “coisas públicas”. A palavra “política” é derivada do termo grego “politikos”, que designava os cidadãos que viviam na “polis”. “Polis”, na sua derivação a partir da filosofia, era usada para se referir à cidade, mas também, em sentido mais abrangente, à sociedade organizada. O filósofo grego Aristóteles (384 a 322 a.C.) definiu o ser humano como um animal político, ou seja, um ser que inconscientemente busca a vida em comunidade, porque suas necessidades materiais e emocionais só podem ser satisfeitas pela convivência com outras pessoas. Partindo dessa condição da necessidade de uma vivência em sociedade, é preciso também considerar que onde quer que haja duas ou mais pessoas, haverá a necessidade de definir regras de uma boa convivência, estabelecendo os limites de ação e os deveres comuns. Assim sendo, a política acontece justamente no ato de se existir em conjunto, ou se quisermos, em sociedade.
A principal missão de toda ação política
Disse o Papa Leão 14, ao um grupo de Parlamentares Europeus: “Presença entre as pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos, que buscam apenas o consenso fácil, e contra os elitismos, que tendem a agir sem consenso: duas tendências generalizadas no panorama político atual. Uma política ‘popular’ exige tempo, compartilhamento de projetos e amor pela verdade. A principal missão de toda ação política, é oferecer um horizonte ideal, pois a política exige uma visão ampla do futuro, sem receio de tomar decisões difíceis e até mesmo impopulares, quando isso for necessário para o bem comum. Todavia, perseguir um ideal não significa exaltar uma ideologia. Esta última, de fato, é sempre fruto de uma distorção da realidade e de uma violência contra ela.
Prossegue o bispo de Roma. “Qualquer ideologia distorce as ideias e subjuga o homem ao seu próprio projeto, reprimindo suas verdadeiras aspirações, seu anseio por liberdade, felicidade e bem-estar pessoal e social”. Para o Pontífice, a falta de sintonia e colaboração entre o povo e seus representantes constitui um dos problemas da política atual. Para superar certa desilusão com a política, é preciso reconquistar as pessoas indo ao encontro delas pessoalmente e reconstruindo uma rede de relações no território, de modo que todos possam se sentir parte de uma comunidade e participantes de seu destino”.
O “manual” do político católico
Neste contexto, para quem se confessa cristão, fazer política significa deixar que o Evangelho ilumine as decisões a serem tomadas: “Ser cristão engajado na política exige ter uma visão realista, que parta dos problemas concretos das pessoas, que se preocupe, antes de tudo, em promover condições de trabalho dignas que estimulem a criatividade e o talento das pessoas diante de um mercado cada vez mais desumanizante e pouco gratificante. Da mesma forma, exige enfrentar de maneira não ideológica os outros grandes desafios que se colocam em nossos dias, como o cuidado da criação e a inteligência artificial. Esta última oferece grandes oportunidades, mas, ao mesmo tempo, está repleta de perigos”, enfatiza o Papa.
E por fim, ser cristãos engajados na política, concluiu o Santo Padre, significa investir na liberdade ancorada na verdade, que proteja a liberdade religiosa, de pensamento e de consciência em todos os lugares e em todas as condições humanas, evitando alimentar um “curto-circuito” dos direitos humanos, que acaba por abrir espaço à força e à opressão.
Eu, juntamente com nossos diocesanos, peço em oração as luzes do Espírito Santo e discernimento, para avaliar candidatos e suas propostas com sabedoria e inteligência, para fazermos nossas escolhas coerente com o Evangelho. Rezar faz parte desse processo eleitoral!

