GeralVia Poiesis

Um dia vale… o que vale algum dia

(Uma crônica de Claudemir M. Moreira)

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Posso começar por onde eu quiser… nunca saberá.

Posso relatar blefes ou imbecilidades; posso escrever inverdades, que jamais saberá.

Posso contar a verdade e segredos… possivelmente, pensará serem meros devaneios…

Lendas urbanas de algum vilarejo esquecido pelo tempo, fantasias de um fracassado ou histórias estúpidas contadas em uma parada qualquer, em algum lugar desconhecido, por algum bêbado alucinado… um solitário tosco, inconveniente, daqueles que sai falando, desenfreadamente. Ou a persistência de alguma senhora, que insiste que o conhece de um certo lugar, que você sequer tenha ouvido falar. Histórias ouvidas em rodoviárias, entre idas e vindas; poemas de bar… sofrimentos em um inverno que nunca acaba, a sensação de estar cruzando a invulnerabilidade do Estige… o medo de olhar para o céu.

Posso dissertar sobre palestras banais de autoajuda… daquelas proferidas por celebridade com cara de otário, sem o menor valor a acrescentar à vida de qualquer pessoa coerente com sua própria vida. Ex-celebridades, ex-atletas, ex-políticos… o tipo de gente que deveria, simplesmente, ser “ex-terminada” do influenciário na vida de tantos impúberes… de idade cronológica ou mental. Banalidades… apenas banalidades.

A vida ultrapassa palavras… e minhas letras… calaram-se…

Há momentos na vida em que a vida não vale um só dia…

De certa forma, sempre soube disso.

Posso andar por cinco dias sem rumo, sem olhar para trás, mas também posso ficar parado e olhar o que se passa. Prefiro assim.

Há dias, em que um só instante não vale um momento sequer…

Idílico? Precisamente atemporal…

Poderia ter imaginado isso, previsto, prudenciado ou tentado evitar…

A vida, na verdade, é anacrônica…

Mas estive ocupado demais com alguma coisa estúpida e desprezável, sem importância ou relevância alguma, para quem quer que fosse…

Mas alguém ordenou que eu fizesse… e fiz… em troca da garantia mensal daquele dinheiro mesquinho a que chamam salário.

Garantia de vida digna?

Quem dera!!!

Quando, em 1998, sai da empresa onde trabalhava, todos a meu redor – sem exceção – refutaram. Assoberbaram-me, por muito tempo.

Afinal – para eles; que seja bem entendido! – havia deixado um bom emprego, em uma empresa importante… e um ótimo salário.

Coisa nenhuma!!!

Uma perfeita situação escatológica… a cada minuto, de todos os dias.

Foi como se livrar de uma armadura de chumbo.

Viver assim, é “auto-escravidão”.

E, por fim, você fica lá, alucinado e estupidamente insensato, acreditando naquela fantasia de estabilidade social, fisgado pelo grande sistema socioeconômico que lhe engole, a cada instante. E não enxerga nada mais! Somente o que querem que veja… somente com quem querem que conviva. Um círculo viciado, fechado. Fazem com que se sinta importante… e assim controlam-no.

Pagam pelo seu silêncio, pela sua alma.

E um dia você acorda e “Opa! Péra lá!”.

Pena que, na maioria das vezes, já era, é tarde demais. Aniquilaram sua alma e iludiram seus sentidos.

Eu nunca aceitei o sistema imposto – tenho meus princípios bem fundamentados – e na primeira chance que tive, “me mandei” … “dei o fora” …

Fui recuperar minha alma e viver meus princípios, na medida do possível.

Um dia bem decidido, às vezes, vale um bom dia…

Mesmo que você sofra reprimendas, desprezo, reprovações, humilhações, por vários dias. Passa…

Um dia de alma lavada…

Sabe o que quero dizer?

Aquela sensação de leveza… livrar-se de um fardo, com a alma segura e bem resolvida, com seus princípios em dia, equiparados com a essência de sua vida… sua razão de viver.

Não tenha medo!!!

Um dia na vida vale somente um dia!

Haverá caminhos prontos a seguir… mas estes não são os seus caminhos…

Abrir seus caminhos, em meio a tanta intempérie, pode ser árduo e visceral… mas, com certeza, satisfatório para seu verdadeiro ser…

Viver intensamente é algo para quem tem princípios, personalidade. E para quem sabe que um dia na vida é apenas mais um dia,

Não vou – como querem que eu faça – ficar planejando minha vida. Prefiro a emoção das surpresas.

Não vou seguir princípios sociais impostos. Tenho meus próprios princípios.

E não vou – jamais – acreditar que a decisão de um dia é a decisão de uma vida.

Um dia é, somente, um dia. Pode ser parte de uma vida medíocre e estúpida, ou frações de tempo, despreocupadamente bem vivido. Você quem escolhe…

Um dia vale exatamente o equivalente entre um dia e outro…

E nada mais!

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2 thoughts on “Um dia vale… o que vale algum dia

  • Luiz Henrique Bernardo

    Um dia deixei meu serviço de funcionariogurte público federal, e apesar de economicamente ter “abandonado uma carreira estruturada”, apesar dos percalços e dos tropeços que eu tive e ainda tenho mesmo tanto tempo depois, me senti como um canário que abandona a segurança da gaiola para cantar livremente em algum momento, sem grades ou regras.
    Luizão Bernardo / UFRRJ – Seropédica

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  • Alescio bometti

    Já tive pensamentos semelhantes em relação a edições de livros com publicações tendenciosas, politicas e inverdades, cujos leitores futuros, poderão ter outras visões a respeito de fatos históricos ocorridos em tempos anteriores.

    Resposta

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