Psicologia

Saúde Mental Materna e comportamento das crianças na Pandemia: efeitos na primeira infância

A pandemia de Covid-19 pegou o mundo de surpresa e colocou praticamente todo o planeta em quarentena. No entanto, é inegável que esse afastamento de uma rotina mais próxima da normalidade, com contato e interação com outras pessoas tem afetado a vida de todos e as crianças estão entre as que mais têm sofrido com isso.

O estudo “O impacto da pandemia do coronavirus e do isolamento social: Examinando indicadores de comportamento da criança e da parentalidade” mostra que 34% tiveram sentimentos negativos (medo, angústia, ansiedade e insegurança), 63% tiveram sintomas depressivos durante a pandemia e 78% tiveram sentimentos de desconforto com o coronavírus.

 Em relação ao comportamento das crianças, 50% das mães relataram problemas durante o período de distanciamento social. 29% relataram que os filhos tiveram problemas de agitação, birra e bagunça e 23% sentiram desajuste à nova rotina diária.

Estudo “Vivências Das Mães Com Seus Filhos Pré-Escolares Durante A Pandemia De Covid-19: Contribuições Da Intervenção Precoce Para A Promoção Do Desenvolvimento Infantil” aponta que 41% das mães tiveram dificuldade em lidar com os filhos durante a pandemia, sendo que as mães com sintomas depressivos e as que recebiam Bolsa-Família relataram mais dificuldade que as demais.

Segundo a declaração oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), a pandemia de coronavírus completou um ano em março. Nesse tempo, a vida das famílias ao redor do mundo se alterou pela crise sanitária. Com o fechamento das escolas, os pais precisaram adaptar sua rotina diária e as medidas de distanciamento social. Essas mudanças impactaram diretamente estado emocional de todos e como o comportamento . Fatores parentais e familiares são os principais motores do crescimento e desenvolvimento saudável das crianças e, portanto, são primordiais na determinação da gravidade imediata dos impactos da pandemia nas crianças agora e no futuro. “Em situações de crise, os cuidadores primários e os pais lutam para acompanhar o fornecimento de saúde, nutrição, segurança e cuidados com as crianças.”

Com o objetivo de avaliar indicadores de saúde mental e a adaptação de mães e crianças de 1 a 6 anos durante o período do isolamento social, o estudo “O isolamento social e impacto da pandemia do coronavirus: Os Pesquisadores da faculdade de Medicina de Ribeirão, examinando indicadores de comportamento da criança e da parentalidade“, valiaram as dinâmicas familiares na quarentena e percebeu mudança de comportamento das crianças e um aumento de sintomas depressivos nas mães.

Segundo os dados, durante a pandemia, 34% das mães tiveram sentimentos negativos (medo, angústia, ansiedade e insegurança), 78% relataram sentimentos de desconforto com o coronavírus e 63% delas tiveram sintomas depressivos durante o período. Em uma análise segmentada, detectou-se que 89% das mães que já apresentavam indícios depressivos antes da pandemia continuaram com os sintomas na quarentena e 47% das mães que não tinham sinais de depressão passaram a apresentá-los.

Em relação ao comportamento das crianças, 50% das mães relataram problemas durante o período de distanciamento social. 29% relataram que os filhos tiveram problemas de agitação, birra e bagunça e 23% sentiram desajuste à nova rotina diária.

“Os achados confirmaram o impacto negativo do isolamento social em indicadores de saúde mental materna e comportamentos das crianças durante o contexto da pandemia mesmo quando não haviam problemas pré-existentes de saúde mental materna ou infantil”, explica Maria Beatriz Linhares, responsável pelo estudo ao lado de Elisa Rachel Pisani Altafim, Claudia Maria Gaspardo, Camila Regina Lotto Rebeca Cristina de Oliveira.

Com muitas creches e escolas fechadas e sem interação com outras crianças, a turminha fica privada de estimulação social e cognitiva fora de suas casas. Por conta da ansiedade e até do tédio de ficar muito tempo dentro de casa, muitas crianças acabam descontando na comida as suas emoções e, com isso, engordam e prejudicam sua saúde hoje e no futuro. Todos estes fatores possivelmente deixarão impactos para o resto de nossas vidas, assim, é fundamental que as famílias busquem recursos para minimizar os efeitos negativos da Pademia, que vão muito além dos econômicos e de saúde física.

Fonte: www.guiadobebe.com.br

Fundação Maria Cecilia Souto VIdigal

Desde 2007, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal trabalha pela causa da Primeira Infância com o objetivo de impactar positivamente o desenvolvimento de crianças em seus primeiros anos de vida. As principais frentes de atuação da Fundação são a promoção da Educação Infantil de qualidade, o fortalecimento dos serviços de parentalidade, a avaliação do desenvolvimento da criança e das políticas públicas de primeira infância e a sensibilização da sociedade sobre o impacto das experiências vividas no começo da vida

Francieli Franzoni Melati

Francieli Franzoni Melati Psicóloga – CRP 08/9543 Francisco Beltrão - PR